Sputnik/Thales Schmidt

Os protestos convocados para este domingo (25) tiveram tímida adesão. As mobilizações ocorreram em apenas cinco estados, resultado que pode ser atribuído a divisões nas agendas estabelecidas pelos movimentos que convocaram a população a sair às ruas.

O Movimento Conservador (que até pouco tempo se chamava Direita São Paulo) e os grupos Avança Brasil, São Paulo Conservador e Ativistas Independentes, que compõem o que pode ser chamado de bolsonarismo de raiz (uma direita radical de apoio ao presidente Jair Bolsonaro), concentraram sua pauta na defesa do impeachment do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli.

O movimento Vem Pra Rua (VPR), de viés mais liberal, realizou seu protesto tendo como pautas a rejeição ao projeto de lei do abuso de autoridade, aprovado recentemente na Câmara dos Deputados, a defesa de Deltan Dallagnol na Procuradoria-Geral da República (PGR), a manutenção do ex-presidente Lula (PT) na cadeia e a defesa do impeachment de Toffoli.

Uma avaliação feita pelos movimentos mais conservadores é que ao incluir a defesa de Dallagnol em sua agenda, o VPR acabou provocando uma desmobilização dos grupos ligados ao bolsonarismo de raiz. Isso se deu porque os grupos mais à direita acham que realizar uma grande mobilização com a pauta da defesa de Dallagnol na PGR representaria, neste momento, um movimento contra o presidente Jair Bolsonaro.

Também contribuíram para o esvaziamento da mobilização certos episódios da última semana, como a decisão do presidente Jair Bolsonaro de realizar mudanças em órgãos como a Receita Federal (RF), o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e a Polícia Federal (PF).

Tais decisões acabaram dividindo sua base social. Há grupos que defendem sem contestação as decisões do Planalto. Já outros, como o VPR e o Movimento Brasil Livre (MBL), que não participou dos protestos, criticam essas decisões do presidente por enxergarem as trocas de comando na Receita, no Coaf e na PF como uma forma de enfraquecer a Operação Lava-Jato.

Justamente por isso o VPR levantou a bandeira de Dallagnol na PGR, o que acabou afastando os grupos mais conservadores.