Marcelo Camargo/Agência Brasil
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A decisão do PSL de expulsar o deputado federal Alexandre Frota (SP), após ele se abster de votar a favor da reforma da Previdência no segundo turno, contrariando a orientação do partido, tem potencial para fortalecer ainda mais o grupo do também deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), mesmo que o filho do presidente Jair Bolsonaro tenha que deixar seu mandato caso seja aprovado para assumir o cargo de embaixador do Brasil em Washington.

O controle exercido do grupo de Eduardo sobre a bancada federal do PSL e também do diretório paulista, do qual é presidente, repercutirá naturalmente nas eleições municipais de 2020. Assumindo a Embaixada, Eduardo precisará deixar a presidência do PSL em São Paulo. Em seu lugar assumiria o vice-presidente da sigla, Gil Diniz.

No PSL, o principal objeto de desejo é a prefeitura de São Paulo. O partido do presidente Jair Bolsonaro enxerga que a conquista da capital paulista, impondo uma derrota ao PSDB em sua grande vitrine, além de fortalecer a legenda, representaria uma importante derrota simbólica ao governador João Doria (PSDB), visto hoje como o principal adversário de Bolsonaro em 2022.

Hoje, a líder do governo no Congresso, a deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP), é vista como a provável candidata do partido à prefeitura de São Paulo em 2022. No entanto, a expulsão de Alexandre Frota representou a perda de um aliado interno para Joice, pois ela é adversária do grupo dos deputados Eduardo Bolsonaro, Coronel Tadeu, Carla Zambelli e do senador Major Olímpio.

Assim, a expulsão de Frota, mesmo que combinada com a ida de Eduardo Bolsonaro para Embaixada, pode representar um obstáculo ao desejo de Joice Hasselmann em ser a candidata do PSL em São Paulo.

Porém, Joice é o nome mais forte do PSL na capital paulista, pois não há nesse momento um Plano B na sigla. Assim, mesmo que tenha resistências internas ao seu nome, Joice tende a prevalecer.

A expulsão de Alexandre Frota gerou fortes críticas ao deputado ao presidente Jair Bolsonaro. Em entrevista à Folha na última sexta-feira (16), Frota definiu Bolsonaro como “um grande idiota ingrato que não sabe nada. Aquela cadeira de presidente ficou grande para ele e ele se lambuzou com o mel da Presidência”.

Atendo ao rompimento de Alexandre Frota com o PSL, João Doria articulou a filiação de Frota ao PSDB. O movimento de Doria reforça o distanciamento do governo de São Paulo em relação a Jair Bolsonaro. Deputado eleito por São Paulo, Frota pode funcionar como uma peça importante para Doria tanto na disputa municipal de 2020 na capital quanto no pleito presidencial de 2022.

O distanciamento de Doria em relação ao PSL e ao governo Bolsonaro foi reforçado pelo discurso de Joice Hasselmann no sábado passado (17), em um evento de seu partido em Barueri (SP).

Falando com pré-candidata à prefeita, Joice, que foi cabo eleitoral de Doria na eleição de 2018 para governador, lembrou que ele “abandonou o mandato de prefeito”. A deputada criticou o fato de Doria ter “deixado um cavalo de troia”, numa referência ao prefeito Bruno Covas (PSDB), que em 2016 foi eleito com vice de Doria.

O afastamento de João Doria em relação ao governo Jair Bolsonaro, reforçado com a decisão de Doria em ser um avalista da filiação de Alexandre Frota, que deixou o PSL com fortes críticas ao presidente, combinado com o discurso crítico de Joice Hasselmann em relação ao governador reforçam nossa avaliação que Doria e PSL estão em campos opostos na disputa de 2020 pela Prefeitura de São Paulo, eleição que deve se tornar um laboratório do pleito presidencial de 2022.