Edilson Rodrigues/Agência Senado

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), esteve em Brasília na semana passada buscando apoio político para cassar a concessão de distribuição de energia da italiana Enel, que arrematou a antiga Celg D em novembro de 2016. Esta foi a primeira das sete subsidiárias da Eletrobras, atuando em distribuição, transferidas ao setor privado.

Caiado defende a saída da Enel do estado e a realização de novo leilão. Seu argumento, e da bancada goiana no Congresso, é quanto à qualidade do serviço prestado pela distribuidora. O governador esteve com o presidente e com os ministros de Minas e Energia, Bento Albuquerque, e o da Secretaria de Governo, general Luiz Eduardo Ramos, e pediu “medidas enérgicas”. Os ministros, porém,argumentaram que o processo de anulação da concessão não é simples.

Os problemas políticos relacionados à concessão de distribuição de energia em Goiás podem afastar novos investimentos da italiana Enel na região, segundo Maurizio Bezzeccheri, presidente da Enel Americas, que assumiu a antiga Celg D. A Enel GO informou, por meio de nota, que foi investido R$ 1,5 bilhão entre 2017 e 2018, e que o plano emergencial está em execução, com o andamento adequado.

O diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), André Pepitone, informou à Agência Infra que o plano emergencial segue seu curso: “Estamos em plena execução do plano de resultados que, no caso da Celg (Enel), é emergencial.” Disse que há reuniões mensais na agência nas quais o cronograma das ações propostas para o mês seguinte é conferido em relação ao que de fato foi executado.

Circulou a ideia de se fazer nova federalização da distribuidora, ainda que provisória, até nova licitação. Entre 2015 e 2016, a então Celg D esteve federalizada como subsidiária da Eletrobras, até ser privatizada. No entanto, a hipótese de voltar ao comando da estatal foi descartada por integrantes do governo e pelo próprio governador, que foi taxativo: “Não vejo por aí. Faça outro leilão.”