AFP
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Maurício Macri sofreu grave derrota nas eleições primárias para a presidência da Argentina, com a vitória da chapa de Alberto Fernández e Cristina Kirchner obtendo 47,66% dos votos, ao passo que o atual presidente do país obteve 32,08%.

As eleições PASO (Primárias Abertas, Simultâneas e Obrigatórias) definem oficialmente os candidatos de cada partido para as eleições nacionais, que ocorrem em 27 de outubro do presente ano. Macri reconheceu a derrota e afirmou que vai redobrar os esforços para conseguir uma colocação melhor na eleição vindoura. Após a vitória, Fernández confessou seu desejo de criar uma “nova Argentina”, arrumando “os problemas que outros geraram”. O ganhador das primárias foi chefe de gabinete de Néstor e Cristina Kirchner, entre 2003 e 2008, e é visto como um fantoche da ex-presidente, por ser uma figura pouco carismática.

Kirchner era vista como a principal ameaça à vitória de Macri, mas seus problemas com a Justiça, somado a questões políticas e familiares, desistiu de sair líder da chapa. Essa foi a terceira vez que os argentinos realizaram prévias obrigatórias por lei, mas as dez coligações presentes já estavam todas formadas – para participar do primeiro turno, a frente política precisa ter pelo menos 1,5% dos votos. Se continuar com esse desempenho, Fernández pode ser eleito logo no primeiro turno, pois este demanda 40% dos votos úteis e 10 pontos percentuais a mais do que o segundo colocado, ou se obtiver 45% mais um voto; caso tenha segundo turno, este realizar-se-á em 24 de novembro.

No Brasil, diante da vitória de Fernández, o presidente Jair Bolsonaro declarou que não quer “irmãos argentinos fugindo para cá” e que a volta de Kirchner ao poder colocará “a Argentina no caminho da Venezuela”. Bolsonaro já havia declarado, durante visita ao país ao país atualmente presidido por Macri em maio deste ano, que não desejava “uma nova Venezuela mais ao sul do nosso continente”.

O peso argentino, em sequência ao resultado das primárias, sofreu forte desvalorização nesta segunda-feira (12), chegando a despencar 30,3% com a proporção de 65 pesos argentinos para 1 dólar. O índice Merval, principal indicador do mercado argentino de ações, também caiu mais de 30% durante o pregão dessa segunda-feira.