Jonas Oliveira
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Com a guerra comercial sino-americana, a China depende do Brasil para suprir sua demanda por soja, a commodity mais importada pelo gigante asiático, mas o país não será capaz de suprir a necessidade chinesa. Em 2018, o Brasil registrou uma supersafra da oleaginosa, e reverteu essa quase exclusivamente à demanda da China; no entanto, 2019 trouxe queda para os estoques brasileiros e a próxima safra está longe de acontecer, deixando a economia chinesa em situação desfavorável, posto que, com a intensificação dos conflitos comerciais com os EUA e com Donald Trump, suspendeu a compra de gêneros agrícolas norte-americanos.

Os números não mentem: os estoques do Brasil estão 80% abaixo do nível registrado no mesmo período do ano passado, as exportações caíram 8% até julho, e as exportações chinesas caíram 11%. A colheita da soja está prevista para janeiro de 2020, e, a partir de setembro do presente ano, o país terá pouco menos de 16 milhões de toneladas a serem embarcadas, contando com a oferta total disponível, dados de exportações até julho e volume para atender ao consumo doméstico, que cobre cerca de 65% da produção total. Tal número está aquém da demanda chinesa, que importou uma média de 7 milhões de toneladas por mês, de outubro a dezembro dos últimos três anos, de acordo com dados oficiais chineses.

Quem pode vir a crescer em tal ambiente é a Argentina, cuja produção de soja voltou a crescer depois da seca que prejudicou a safra de 2018, embora esta esteja acumulando estoque antes das eleições presidenciais, cujas primárias foram vencidas pela chapa de Alberto Fernández e Christina Kirchner – os produtores usam a safra, cotada em dólares, como proteção contra a volatilidade mercadológica causada pela eleição e pela possibilidade de uma reviravolta no cenário político.

Especialistas afirmam que, com as dificuldades de importação entre Brasil e China, o gigante asiático terá que voltar para o mercado norte-americano pagando as altas tarifas impostas por Trump se quiser continuar competitiva.