Akemi Nitahara/Agência Brasil
  O Brasil poderá anunciar a decisão de integrar a Nova Rota da Seda, o grande projeto global de investimento em infraestrutura promovido pela China, durante a realização da reunião dos BRICS, nos dias 13 e 14 de novembro, em Brasília.

A possibilidade vem sendo analisada pelo Palácio do Planalto juntamente com o Itamaraty e a expectativa é de que uma posição oficial possa ser formalizada durante a reunião, que contará com a presença do presidente da China, Xi Jinping.

O governo brasileiro ainda analisa qual seria a reação de outros players internacionais, em especial os Estados Unidos e o Japão, que destacam os impactos negativos que a adesão à Nova Rota da Seda poderá acarretar aos países parceiros.

Antes de tomar a decisão de aderir à iniciativa chinesa, o Brasil deseja ouvir as opiniões chinesas sobre a cooperação para alinhar os planejamentos do desenvolvimento, promover a conectividade e concretizar a cooperação com benefícios mútuos e o desenvolvimento comum, além de analisar cuidadosamente as experiências acumuladas pelos diversos países que já aderiram à Nova Rota da Seda.

A Nova Rota da Seda é um projeto chinês e seus objetivos principais são a coordenação de políticas, a conectividade das instalações, a integração financeira e o intercâmbio de pessoas, ligando China-Ásia Central-Rússia-Europa (Báltico) e a Rota Marítima, que liga a costa da China à Europa através do Mar do Sul da China e do Oceano Índico em uma nova rota, e do Mar do Sul da China para o Pacífico em outra rota.

A China é a segunda maior potência econômica do planeta, atrás apenas dos Estados Unidos e desde 2014 é um expressivo parceiro de diversos países da América Latina. Tanto que, na Reunião de Ministros das Relações Exteriores do Fórum China-CELAC, realizada em 2015, o presidente Xi Jinping propôs que o comércio entre os dois lados chegue a US$ 500 bilhões nos próximos dez anos, e que o investimento direto chinês na América Latina alcance US$ 250 bilhões até 2025.

Em relação ao Brasil, a China é o maior parceiro comercial do país. É para a China que o Brasil mais exporta e quem mais o Brasil importa. Ano passado, as trocas comerciais entre os dois países totalizaram US$ 98 bilhões, enquanto o estoque de investimentos diretos chineses no Brasil atinge a cifra de US$ 70 bilhões.

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Escritor, Jornalista e Cientista político, com foco em Accountability, formado pela Universidade de Brasilia. Pós-graduado em Relações Institucionais pelo Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (IBMEC). Especialista em Processo Legislativo Federal e Ética e Administração. Exerce a função de analista político na Arko Advice, com dez anos de experiência, atua com o desenvolvimento de estratégias, mapeamento de stakeholders, consultoria e na elaboração de análises setoriais.