Alberto Ruy/MInfra
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  A inauguração do Aeroporto Glauber Rocha (23), em Vitória da Conquista (BA), marcou a primeira passagem do presidente Bolsonaro pelo Nordeste, após a revelação de um áudio captado pela TV Brasil em que ele supostamente usa o termo “paraíbas” para se referir aos governadores da região. O vídeo gerou forte repercussão negativa na região e o governador da Bahia, Rui Costa (PT), optou por não comparecer à inauguração.

Rui Costa também não gostou da decisão de Bolsonaro de ceder o palanque da cerimônia a rivais locais do PT, como o prefeito de Salvador, ACM Neto, e o deputado federal Elmar Nascimento, ambos do DEM. Durante o evento, o presidente Bolsonaro procurou minimizar a polêmica atribuindo-a aos nordestinos.

Em seu discurso, disse “amar o Nordeste” e lamentou a ausência de Rui Costa. Também declarou que “é uma honra hoje também ser nordestino cabra da peste. Somos todos paraíbas, somos todos baianos. O que nós não somos é aqueles que querem puxar para trás o nosso estado, o nosso país”.

O movimento de Rui Costa de se afastar de Bolsonaro, vale recordar que o presidente da República é visto como um aliado de ACM Neto, principal adversário do PT baiano. Aliás, no atual cenário, Neto desponta cada vez mais como o principal oponente das forças de esquerda no Nordeste.

Rui Costa é mencionado como potencial pré-candidato ao Palácio do Planalto, podendo ser o adversário de Bolsonaro na sucessão presidencial de 2022. Em que pese a tentativa de Bolsonaro de relativizar as polêmicas, o presidente passa por um desgaste político na região.

Governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB) ganhou espaço na imprensa nacional para criticar o presidente após as manifestações de Bolsonaro. Em entrevista ao jornal O Globo, Dino declarou que “há um insano no comando do país. Um método de discriminação, de perseguição e de preconceito”.

O Nordeste tem sido caracterizado como reduto politicamente adverso ao bolsonarismo. Nas eleições presidenciais de 2018, Fernando Haddad (PT) venceu Bolsonaro em São Paulo nos dois turnos da disputa. Além disso, na última pesquisa Datafolha, divulgada no início deste mês, o governo registrou um índice “ruim/péssimo” de 41%. Apenas 17% aprovam a gestão Bolsonaro.

Esse baixo desempenho do governo entre os nordestinos pode ser atribuído ao cenário econômico adverso, pois a região é muito sensível ao estado da economia. Esse fato, combinado com a repercussão negativa do áudio, tem potencial para alavancar a insatisfação dos nordestinos com o presidente.

O desgaste de Bolsonaro na região, principal reduto remanescente do lulismo, serve também para os partidos de oposição tentarem transformar o Nordeste num bastião anti-Bolsonaro. Não por acaso governadores do PT e do PCdoB, vistos como opções de renovação no campo da esquerda para a sucessão de 2022, assumiram uma postura dura de crítica a Bolsonaro.

Apesar de tais problemas, a insatisfação registrada no Nordeste tende a não afetar o governo no Congresso. Por enquanto, o que há é muito barulho contra o presidente produzido por políticos da região, sobretudo por parte de Rui Costa e Flávio Dino.