Jefferson Rudy/Agência Senado
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O clima no PSDB voltou a ficar tenso depois que o diretório municipal da legenda em São Paulo apresentou uma representação ao diretório nacional do partido pedindo a expulsão do deputado federal Aécio Neves (MG).

O presidente do PSDB paulistano, Fernando Alfredo, avalia que a expulsão de Aécio seria uma forma de “estancar a sangria”. Emitindo sinais de que o partido tem feito pesquisas qualitativas para avaliar o impacto negativo da associação com a imagem de Aécio, Alfredo disse que “nos embates políticos em São Paulo somos sempre confrontados com a questão Aécio”.

A movimentação no PSDB em favor da expulsão de Aécio voltou a crescer depois que a Justiça Federal de São Paulo ratificou o recebimento da denúncia contra ele por corrupção passiva e tentativa de obstrução de Justiça nas investigações da Operação Lava-Jato.

Além de Fernando Alfredo, o prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), que deve disputar a reeleição em 2020, decidiu esticar a corda em relação a Aécio. Covas chegou a cogitar a possibilidade de trocar de partido ao afirmar: “Ou eu ou ele.”

A movimentação realizada pelo PSDB da capital paulista gerou reação no diretório do partido em Belo Horizonte, que, em retaliação à representação contra Aécio apresentada por São Paulo ao diretório nacional da sigla, promete levar Covas ao Conselho de Ética por suposta improbidade administrativa.

Apesar da reação do diretório tucano da capital mineira, a situação interna de Aécio no partido é bastante delicada. Além de Covas, o governador de São Paulo, João Doria, defende que Aécio saia espontaneamente do PSDB.

Ainda que o novo Código de Ética do PSDB, apresentado em maio, preveja a expulsão de políticos condenados na esfera criminal ou que tenham cometido infidelidade partidária, não há menção sobre punições aos líderes que estão sendo investigados, caso de Aécio.

Além disso, antes de o pedido apresentado pelo diretório municipal da capital paulista ser apreciado, o PSDB precisa instalar o Conselho de Ética, o que não há data para ocorrer.

Após Covas e seus aliados esticarem a corda no caso Aécio, o presidente do PSDB, Bruno Araújo, afirmou que eventuais representações contra filiados seguirão a tramitação prevista no Código de Ética.

Assim, ao menos por enquanto, Aécio deve continuar filiado ao PSDB. Aliás, na última quinta-feira (11), o ex-presidente FHC afirmou em sua conta no Twitter que “o partido tem um estatuto e uma Comissão de Ética. Há que respeitá-los. Jogar filiados às feras, principalmente quem dele já foi presidente, sem esperar decisão da Justiça é oportunismo sem grandeza”.

O clima no PSDB é tão tenso que o diretório municipal de São Paulo emitiu uma nota a FHC afirmando: “Não concordamos com sua posição ao defender a permanência de Aécio Neves, cuja trajetória não condiz com o que FHC tem de legado.”

Está em curso no partido uma pressão capitaneada por São Paulo contra Aécio devido à preocupação com o custo eleitoral de sua permanência no partido sobre os candidatos a prefeito nas eleições municipais de 2020.

Não por acaso Covas assumiu a linha de frente da defesa da expulsão. Apesar da pressão realizada por São Paulo, Aécio deve tentar ganhar tempo e resistir.

A saída de Aécio do PSDB não interessa apenas a Covas e a outros prefeitos, mas também a Doria, pois a permanência de Aécio no partido cria uma contradição com uma das agendas mais caras ao governador de São Paulo: o combate à corrupção.

A solução desse impasse não deve se resolver no curto prazo. Enquanto isso, o clima segue tenso no ninho tucano, principalmente diante da resistência do PSDB mineiro de defender sua maior liderança.