Foto: Lula Marques
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Em artigo publicado no Estadão, o cientista político, Murillo de Aragão, analisou a estratégia de Moro na Câmara dos Deputados.

 

Em um ambiente de “Palmeiras versus Corinthians” na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados, o ministro Sérgio Moro se saiu bem assim como tinha ocorrido no Senado Federal.

A estratégia de Sérgio Moro na Câmara foi a mesma traçada na audiência pública anterior. Ele não reconheceu a autenticidade dos diálogos. Disse novamente que foi vítima de ataques de hackers profissionais e lembrou que o Ministério Público recorreu de muitas sentenças proferidas por ele.

Moro foi favorecido pelas regras da audiência. Ouviu várias perguntas, agressões e ataques e respondeu ao que quis. Quase sempre usando respostas básicas do tipo “não me lembro” e distribuindo encômios à Operação Lava Jato.

Outro dado relevante é que os deputados pareciam mais interessados em projetar uma imagem – contra e a favor da Operação Lava Jato – para seu eleitorado do que em esclarecer os fatos que motivaram o evento. A audiência pública terminou sendo um palco para uma representação que favoreceu individualmente a alguns deputados e, no geral, ao depoente.

O momento mais crítico para Sergio Moro ocorreu na sucessão de perguntas do deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) sobre detalhes do processo e sobre a existência de contatos com advogados de defesa.

O deputado federal Alesandro Molon (PSB-RJ), na linha do que questionou Paulo Pimenta (PT-RS), desafiou Moro a informar se houve algum contato dele com advogados de defesa tal qual teria ocorrido com promotores. Moro tergiversou.

O site The Intercept Brasil havia prometido bombásticas revelações no final de semana e que não se materializaram. Sem elas, a audiência ficou girando em torno do que se sabia. Mais do mesmo com pitadas de comédia pastelão de lado a lado.

A sensação de vergonha alheia foi patente em muitos momentos. No olé que Moro deu na oposição. No troféu entregue a ele pelo deputado Boca Aberta (PROS-PR) e, por fim, na patética acusação de juiz ladrão feita pelo deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) e que, para alívio da cidadania envergonhada, encerrou o debate.

*Murillo de Aragão é advogado, cientista político e professor-adjunto da Columbia University

 

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Murillo de Aragão é advogado, jornalista, professor, cientista político e presidente da Arko Advice Pesquisas e sócio fundador da Advocacia Murillo de Aragão. É Formado em Direito pela Faculdade de Direito do Distrito Federal (UniCEUB), é mestre em Ciência Política pela Universidade de Brasília e doutor em Sociologia (estudos latino-americanos) pelo Ceppac – Universidade de Brasília. Entre 1992 e 1997 foi pesquisador associado da Social Science Research Council (Nova York). Foi membro do “board” da International Federation of the Periodical Press (Londres) entre 1988 e 2002. Foi pesquisador da CAPES quando doutorando no CEPAC/UnB. É membro da Associação Brasileira de Ciência Política, da American Political Science Association, da Internacional Political Science Association, da Ordem do Advogado do Brasil (Distrito Federal) e do IBRADE - Instituto Brasileiro de Direito Eleitoral. Foi membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República (2007 - 2018). Como membro do Conselho, foi chefe de delegações do organismo na Rússia , BRICs e Comunidade Européia. Como palestrante e analista político, Murillo de Aragão proferiu mais de duas centenas de palestras, nos últimos 20 anos, em Nova York, Miami, Londres, Edimburgo, São Francisco, San Diego, Lisboa, Washington, Boston, Porto, Buenos Aires, Santiago, Lima, Guatemala City, Madrid, Estocolmo, Milão, Roma , Amsterdã, Oslo, Paris, entre outras, para investidores estrangeiros sobre os cenários políticos e conjunturais do Brasil. Aragão lecionou as matérias “Comportamento Político” e “Processo Político e Legislação” no Departamento de Ciência Política da Universidade de Brasília. Foi professor visitante da Universidad Austral, Buenos Aires e consultor do Banco Mundial. É professor-adjunto da Columbia University (Nova York) . Em 2017, foi convidado para ser professor-adjunto na Columbia University (Nova York) onde leciona a cadeira “Sistema Político Brasileiro”. É autor e autor do seguintes livros: Grupos de Pressão no Congresso Nacional (Maltese, 1992), ‘Reforma Política – O Debate Inadiável (Civilização Brasileira, 2014) e Parem as Maquinas (Sulina, 2017). É colunista de opinião da revista Isto É, e do jornal, O Estado de São Paulo.