Foto: Lula Marques
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Levantamento do Laboratório de Estudos de Mídia e Esfera Pública da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), divulgado na semana passada sobre os primeiros 15 dias da divulgação de supostos diálogos entre o ministro da Justiça, Sérgio Moro, e procuradores responsáveis pela Operação Lava-Jato, aponta uma imprensa dividida.

A Folha de S.Paulo publicou matérias majoritariamente com críticas a Sérgio Moro. Ao todo foram 153 matérias sobre o tema: 70 contra o ministro, 32 criticando o site The Intercept Brasil e 51 consideradas neutras ou ambivalentes. Já O Globo postou 41 matérias contra o site, 22 com críticas a Moro e 43 neutras ou ambivalentes. O Estado de S. Paulo criticou o site em 30 matérias, criticou Moro em 24 e foi neutro/ambivalente em 32.

O levantamento não considerou as revistas semanais Veja e IstoÉ. A Veja está sendo considerada mais crítica a Moro, ao passo que a IstoÉ tem se revelado mais crítica aos vazamentos.

A divisão da imprensa em relação à Lava-Jato é uma novidade desde o início da operação. E está relacionada a temas políticos: a campanha pela libertação do ex-presidente Lula (PT), preso desde abril de 2018, e a oposição à gestão do presidente Jair Bolsonaro (PSL).

Setores da imprensa adotam a ideia de que o Vaza-Jato (apelido dado para o vazamento dos diálogos) enfraquece a operação e pode favorecer a anulação do julgamento de Lula. Outros setores veem o enfraquecimento de Moro como uma maneira de enfraquecer, por tabela, o presidente.

Outro aspecto que deve ser considerado é a ocorrência do aumento de críticas, por parte de formadores de opinião, aos métodos empregados pela Lava-Jato em suas investigações. Em evento recente com ministros e ex-ministros do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça, o comentário predominante sobre o assunto era o de que o prestígio de Moro e dos procuradores ficou seriamente comprometido.

Mesmo com a imprensa dividida, as manifestações deste domingo em muitas cidades do país fortaleceram a imagem popular de Sérgio Moro.

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Murillo de Aragão é advogado, jornalista, professor, cientista político e presidente da Arko Advice Pesquisas e sócio fundador da Advocacia Murillo de Aragão. É Formado em Direito pela Faculdade de Direito do Distrito Federal (UniCEUB), é mestre em Ciência Política pela Universidade de Brasília e doutor em Sociologia (estudos latino-americanos) pelo Ceppac – Universidade de Brasília. Entre 1992 e 1997 foi pesquisador associado da Social Science Research Council (Nova York). Foi membro do “board” da International Federation of the Periodical Press (Londres) entre 1988 e 2002. Foi pesquisador da CAPES quando doutorando no CEPAC/UnB. É membro da Associação Brasileira de Ciência Política, da American Political Science Association, da Internacional Political Science Association, da Ordem do Advogado do Brasil (Distrito Federal) e do IBRADE - Instituto Brasileiro de Direito Eleitoral. Foi membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República (2007 - 2018). Como membro do Conselho, foi chefe de delegações do organismo na Rússia , BRICs e Comunidade Européia. Como palestrante e analista político, Murillo de Aragão proferiu mais de duas centenas de palestras, nos últimos 20 anos, em Nova York, Miami, Londres, Edimburgo, São Francisco, San Diego, Lisboa, Washington, Boston, Porto, Buenos Aires, Santiago, Lima, Guatemala City, Madrid, Estocolmo, Milão, Roma , Amsterdã, Oslo, Paris, entre outras, para investidores estrangeiros sobre os cenários políticos e conjunturais do Brasil. Aragão lecionou as matérias “Comportamento Político” e “Processo Político e Legislação” no Departamento de Ciência Política da Universidade de Brasília. Foi professor visitante da Universidad Austral, Buenos Aires e consultor do Banco Mundial. É professor-adjunto da Columbia University (Nova York) . Em 2017, foi convidado para ser professor-adjunto na Columbia University (Nova York) onde leciona a cadeira “Sistema Político Brasileiro”. É autor e autor do seguintes livros: Grupos de Pressão no Congresso Nacional (Maltese, 1992), ‘Reforma Política – O Debate Inadiável (Civilização Brasileira, 2014) e Parem as Maquinas (Sulina, 2017). É colunista de opinião da revista Isto É, e do jornal, O Estado de São Paulo.