(Foto: Emerson Souza / NSC)
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As recentes e significativas manifestações a favor do presidente Jair Bolsonaro mostram a existência de um movimento de massa disposto a sair às ruas, principalmente nos grandes centros urbanos, para defender o chefe de governo. O fenômeno tem sido nomeado de bolsonarismo.

O bolsonarismo foi sendo construído nas ruas durante o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Embora inicialmente o movimento tivesse uma característica antipetista, a destruição do sistema político ao longo da Nova República abriu um espaço que foi ocupado pela chamada “nova direita”.

De perfil liberal-conservador, embora heterogêneo, essa “nova direita” adquire hoje características próprias. A partir da decisão de grupos como o Movimento Brasil Livre (MBL) e o Vem pra Rua de não participar das últimas manifestações em favor do presidente, o bolsonarismo foi adquirindo um viés cada vez mais conservador, sobretudo nas pautas morais. Como parte dos liberais apoia o governo com ressalvas, quem está indo para as ruas é o bolsonarismo raiz. Embora as ruas “não tenham dono”, o presidente tem a seu lado um importante polo de apoio.

A capacidade de organização desse grupo via redes sociais tem se consolidado. Em contrapartida, as demais forças políticas do país têm revelado uma grande incapacidade de operar na era digital. Como consequência, as bases sociais a favor de Bolsonaro ocuparam um espaço vago desde o processo de burocratização do PT, que levou o partido a reduzir sua capacidade de inserção social.

Mesmo com a eficácia demonstrada por Bolsonaro de mobilizar seus simpatizantes, há sinais de alerta que não devem ser desprezados pelo presidente. Por exemplo, em menos de seis meses de governo, os estudantes conseguiram realizar protestos significativos, ainda que em intensidade inferior ao bolsonarismo. Em um mês, os eles já saíram às ruas em duas oportunidades para condenar o contingenciamento de recursos anunciado pelo Ministério da Educação.

Esse movimento dos estudantes poderá, se a economia continuar patinhando e o desemprego elevado, levar outros setores da sociedade a pensar em protestos. Com a finalidade de neutralizar movimentos como esses, o ministro da Economia, Paulo Guedes – após o IBGE revelar que o PIB registrou uma retração de 0,2% no primeiro trimestre do ano –, anunciou que o governo em breve vai liberar as contas inativas do FGTS para aquecer a atividade econômica.

Mesmo que esse cenário econômico adverso não se altere, o bolsonarismo tende a continuar com força social. Porém, as forças de oposição também podem se intensificar. Num cenário de crise de representação e embate entre os Poderes, em especial entre Executivo e Legislativo, as mobilizações de rua devem se manter como ator no jogo político. Até porque as redes sociais possuem esse potencial de produzir movimentos espontâneos na sociedade.