A ausência do presidente da República, Jair Bolsonaro, no evento realizado pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos, em Nova York, na semana passada, colocou o governador João Doria (PSDB) como um dos principais protagonistas.

Mesmo que o evento tenha contado com a presença dos presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, Doria foi o escolhido para discursar pelo lado brasileiro foi o paulista.

Na manifestação o governador de São Paulo criticou o prefeito de Nova York, Bill de Blasio, que recentemente fez fortes críticas a Bolsonaro.

João Doria recomendou a de Blasio: “da próxima vez, seja gentil com o presidente de nosso país e com os brasileiros que visitam sua cidade, sejam quem forem. Apesar de você, nós amamos Nova York e amamos a América”.

Ao mesmo tempo em que fez uma sinalização em direção a Bolsonaro, Doria também demarcou um distanciamento em relação ao presidente ao dizer que respeita Jair Bolsonaro, mas não é politicamente alinhado com ele.

Além do bom trânsito junto aos investidores internacionais, Doria é o governador que atua com maior protagonismo no tema da reforma da Previdência.

Mesmo que a sucessão presidencial de 2022 ainda esteja distante da agenda política, Doria atua como um potencial candidato ao Palácio do Planalto, fato que coloca o governador paulista como um grande player no jogo político nacional.

Além das mensagens políticas, durante sua passagem por Nova York, João Doria cumpriu uma agenda de encontros com fundos de investimentos estrangeiros. A expectativa é atrair US$ 10 bilhões de dólares em concessões e parcerias público-privadas (PPP’s) em áreas como infraestrutura, ferrovias e aeroportos.

O objetivo de Doria é avançar em uma de suas principais promessas da campanha eleitoral de 2018: a desestatização de empresas.

Paralelamente à movimentação de Doria, seu governo teve uma importante vitória na semana passada com a decisão da Assembleia Legislativa de São Paulo ao aprovar, por 57 votos a favor e 26 contrários, o projeto que extingue três estatais e funde outras duas empresas.

O texto aprovado prevê a extinção da Companhia de Desenvolvimento Agrícola (Codasp), Companhia Paulista de Obras e Serviços (CPOS) e da Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano S.A. (Emplasa), além da incorporação da Imprensa Oficial pela Companhia de Processamento de Dados (Prodesp).

A aprovação do enxugamento do Estado é o primeiro passo do governo no avanço dessa agenda. Doria deseja ainda privatizar todos os aeroportos de São Paulo, a hidrovia Tietê-Paraná, além da concessão de presídios à iniciativa privada através das PPPs.

Embora o governo Doria tenha sido aprovado no primeiro teste na Assembleia, o PSL, maior bancada na Casa com 15 deputados, acabou se dividindo na votação.

Da bancada do PSL, apenas oito deputados votaram com o Palácio dos Bandeirantes. Outros seis parlamentares se posicionaram contra o governador.

O comportamento do PSL na Casa era uma grande incógnita, principalmente depois que o PSDB e a legenda estiveram em lados opostos na eleição que reconduziu o deputado estadual Cauê Macris (PSDB-SP) à presidência da Assembleia Legislativa.

Essa postura do PSL pode trazer obstáculos futuros a João Doria, pois o calendário eleitoral poderá opor o partido do presidente Jair Bolsonaro ao PSDB em São Paulo. Enquanto o PSL deseja ter uma candidatura forte nas eleições de 2020 na capital paulista, Doria tende a se engajar na campanha à reeleição do atual prefeito Bruno Covas (PSDB).

Além das eleições municipais, existe a possibilidade do PSL tentar impor dificuldades ao avanço da agenda de Doria na Assembleia, pois o governador é visto como um potencial candidato ao Palácio do Planalto em 2020, sendo portando um possível adversário de Jair Bolsonaro na sucessão presidencial de 2022.