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Que pontos são mais latentes e podem ser alterados na comissão?

BPC (Benefício de Prestação Continuada) e aposentadoria rural estão inviabilizados. Sobre capitalização, há um problema sério. O governo não consegue explicar como vai pagar o estoque de aposentados. Então você transfere todo mundo para o sistema de capitalização, para de ter contribuição para o regime próprio e para o regime geral. Mas você tem o estoque de aposentados, que custa muito caro. Então, não tendo explicação do governo sobre isso, não vejo condições de prosperar essa ideia de capitalização. A questão do abono do PIS deve ser objeto de debate, os professores, que alguns setores, inclusive o meu partido PR, já manifestaram contra. Quanto à questão da desconstitucionalização, minha sugestão é que não seja debatida como tese, mas item por item para que seja mantido na Constituição ou não.

O presidente Jair Bolsonaro disse que a economia da reforma poderia ficar em R$ 800 bilhões. Você acredita que pode ficar abaixo disso?

Eu acredito que todos os esforços devem ser feitos para ficar acima de R$ 800 bilhões. Se você tirar capitalização, BPC e trabalhadores rurais, ainda estaríamos falando de uma economia de R$ 950 bilhões. Se você tirar, além de BPC e rurais, professores e abono do PIS, aí nós estaríamos falando de R$ 800 bilhões. Então, se a comissão e a Câmara não cederem a essas pressões corporativas de servidores públicos, poderíamos ter uma economia acima dos R$ 800 bilhões.

A intenção é mesmo concluir os trabalhos na comissão até o fim de junho, deixando a votação em plenário para após o recesso?

A intenção é aprovar até julho. Esse é o prazo do presidente Rodrigo Maia. Se esse é o prazo dele, também é o meu. Para ele votar em julho, tenho de terminar o trabalho em junho. O trabalho de construção do relatório na Comissão Especial tem de ser paralelo à construção do governo de uma base política para aprovar o projeto. Para ter 330 ou 340 votos.