Os encontros que o presidente Jair Bolsonaro manteve com os presidentes nacionais de PSL, PODEMOS, NOVO, AVANTE, PSC, PR e SD na semana passada, assim como as conversas tidas com os líderes nacionais de PRB, PSD, PP, PSDB, DEM e MDB, na semana anterior, representaram uma sinalização de engajamento do Palácio do Planalto em favor da Reforma da Previdência, o que é positivo.

Ainda assim a participação direta de Bolsonaro na articulação política não tem sido suficiente para reduzir as insatisfações no Congresso. Além de os principais partidos do Centrão manterem posição de independência após o diálogo com o presidente, na semana passada o Centrão prometeu votar a Reforma da Previdência na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara somente após a aprovação da PEC do Orçamento impositivo.

O pleito do Centrão, que deve ser acatado pelo presidente da CCJ, deputado Felipe Francischini (PSL-PR), tende a atrasar ainda mais a PEC da Previdência na comissão. O envolvimento de Bolsonaro na articulação política expõe também as dificuldades que o chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM-RS), e o líder do governo na Câmara, Major Vitor Hugo (PSL-GO), encontram para exercer essa função.

Até mesmo no PSL a insatisfação com Onyx já é verbalizada publicamente. Na semana passada, em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, o deputado Alexandre Frota (PSL-SP) declarou que o chefe da Casa Civil “falha na articulação política”.

Vale registrar a manifestação do ministro da Economia, Paulo Guedes, de que “não tem temperamento para articulação política”, assim como a do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que afirmou ter perdido as condições de articular a Reforma da Previdência.

As turbulências na articulação entre governo e Congresso e a necessidade de o presidente da República se envolver pessoalmente no assunto resultam do novo modelo de relacionamento proposto pelo Planalto, abrindo mão dos acordos nos moldes do presidencialismo de coalizão.

A nova forma de relacionamento até poderá funcionar, pois tem o respaldo de parte da opinião pública, sobretudo da base social bolsonarista. Contudo, conforme se observa, a operacionalização da chamada “nova política” é bem mais lenta do que muitos imaginavam. Ao não celebrar acordos partidários, o governo acaba tendo de negociar caso a caso as pautas de seu interesse com as legendas e o Congresso.