O senhor participou do encontro da direção nacional do PR com o presidente Jair Bolsonaro. Qual a sua avaliação da conversa? Lá estivemos [Palácio do Planalto] na terça-feira e ouvimos do presidente, muito descontraído, o convite para que o PR participe efetivamente da votação da Reforma da Previdência. A gente se antecipou dizendo que o PR tem interesse em votar a reforma, mas sem participação na base do governo. Acho que todos nós temos interesse em votar essa matéria. É uma reforma de extrema importância para o país, com os devidos ajustes tanto no BPC quanto nos interesses dos trabalhadores rurais. O PR já tinha definido que fecharia questão em relação aos professores, que formam a base da educação em qualquer país. É a forma mais fácil de promover desenvolvimento em qualquer país. Assim, nós iremos excluir, se possível na Comissão Especial, já que não foi possível na CCJ, esses três itens e discutir outros que possam servir como benefício para a classe trabalhadora e para aqueles mais necessitados.

Acredita que a reforma será aprovada esta semana na CCJ? Uma das informações que me chegaram é que os parlamentares querem votar o Orçamento impositivo (PEC que torna obrigatória a execução de emendas orçamentárias de bancadas estaduais), tema de grande importância para o país. Logicamente, também para os parlamentares, afinal, é onde você pode concretizar os anseios dos prefeitos e dos estados. Se for realmente o primeiro item da pauta de segunda-feira [na CCJ], vai ter discussão em relação a isso. Na sequência, iniciaremos a retomada da votação da reforma. Mas acho que durante o espaço da semana, que tem feriado, vai ser difícil votar o relatório.

Como analisa esses 100 dias do governo com relação ao Legislativo? Acredito que se fizesse qualquer avaliação diferente, eu estaria sendo injusto com a realidade, com a minha própria consciência. A interlocução não evoluiu, o governo continua com a base resumida ao próprio partido (PSL). Nós iremos realmente cobrar do governo ações que sejam bem-vindas, no caso, se elas chegarem, o que não está acontecendo. O governo me perdoe, mas até agora, nesses 100 dias, não fez absolutamente nada. O Orçamento continua engessado, não estão sendo atendidas as reivindicações dos estados nem dos municípios através das emendas parlamentares. É isso que nós temos que fazer, cobrar do governo de uma forma justa aquilo que foi votado e que é lei, para ver os nossos municípios se desenvolverem a cada dia.