O general Hamilton Mourão tem se mostrado um vice-presidente da República com grande capacidade de articulação, dialogando com vários setores da sociedade, inclusive da oposição, e buscando passar tranquilidade acerca dos rumos do governo Bolsonaro.

Na semana passada, durante discurso realizado para a chamada nata do PIB nacional, na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Mourão mais uma vez deixou uma impressão positiva. Ele defendeu temas simpáticos ao setor, como redução da carga tributária, enxugamento das leis trabalhistas e proteção da indústria brasileira contra a competição internacional.

Também se posicionou contra os reajustes automáticos do salário mínimo e as regras atuais do Benefício de Prestação Continuada (BPC). Em relação ao Ministério da Educação (MEC), pasta que mais tem gerado polêmica no governo, defendeu o que chamou de “freio de arrumação”.

Após o evento, Mourão jantou com o empresário Paulo Skaf, presidente da Fiesp, com a presença de, entre outros empresários, João Carlos Saad (Grupo Bandeirantes); David Feffer (Grupo Suzano); Luiz Carlos Trabuco (Bradesco); Luiz Pretti (Cargill); Victorio de Marchi (Ambev); Flávio Rocha (Riachuelo); Rubens Ometto (Cosan); João Ometto (São Martinho); Marcelo Ometto (Unica); Fernando Galletti de Queiroz (Minerva); Pedro Parente (BRF); Jacyr Costa Filho (Tereos).

Participaram ainda do jantar o secretário da Fazenda do estado de São Paulo, Henrique Meirelles, e o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Nelson Jobim.

Mourão agradou ao setor produtivo ao dizer que, apesar da necessidade de abrir a economia nacional ao comércio mundial, “se nós não reorganizarmos o sistema tributário, uma abertura da noite para o dia do nosso país vai acabar com a nossa indústria”. Em seu discurso mereceu destaque o compromisso assumido pelo governo com as reformas da Previdência e Tributária, temas fundamentais para o setor produtivo.

Após o governo passar por um período de instabilidade, fato aparentemente contornado pela articulação política liderada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), poder contar com Hamilton Mourão, um vice-presidente disposto também a dialogar, contribui positivamente nessa operação.

Além disso, como Mourão é ligado aos militares, setor com grande protagonismo no governo, passar uma mensagem positiva aos empresários é essencial para construir um ambiente positivo junto ao setor privado.