A elevação do desemprego para 12,4% no trimestre encerrado em fevereiro leva o governo Jair Bolsonaro (PSL) a preparar o anúncio de medidas que criem uma agenda positiva na economia. Hoje o número de desempregados ultrapassa 13 milhões de brasileiros. Há ainda 4,9 milhões de desalentados, ou seja, desempregados que desistiram de procurar uma vaga no mercado de trabalho.

Na semana passada, o tema ocupou parte das notícias negativas diante do espaço que o mutirão do emprego, que levou cerca de 15 mil pessoas a enfrentar filas gigantescas no Centro de São Paulo em busca de uma vaga no mercado de trabalho, ocupou na imprensa.

Diante desse cenário, no último sábado (30) o presidente disse, através de sua conta no Twitter, que o Ministério da Economia estuda reduzir os impostos das empresas.

Segundo Bolsonaro, em contrapartida haveria a cobrança de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) sobre os dividendos. O presidente lembrou que desde 1995 o Brasil não cobra imposto de renda sobre dividendos.

Antes da manifestação de Bolsonaro nas redes sociais, o jornalista Valdo Cruz, da GloboNews, já antecipara que a equipe econômica estaria trabalhando na elaboração de medidas microeconômicas que façam o país voltar a crescer. O foco seria na área de crédito.

Entre essas medidas está sendo avaliada pelo Ministério da Economia a criação de mecanismos que permitam a empresas tomar crédito no sistema financeiro a fim de alavancar seus negócios. Hoje, muitas estão com dificuldade de fazer isso por falta de garantias, pois foram obrigados a comprometê-las para atravessar a recessão que atingiu o país nos últimos anos.

Além da questão do crédito, o secretário da Receita Federal, Marcos Cintra, anunciou em sua conta no Twitter, no último sábado (30), que a Reforma Tributária está no forno. Cintra prometeu ainda uma “enxurrada de boas notícias”. Segundo ele, o ponto fundamental da Reforma Tributária é acabar com a tributação da folha de salários, o que ajudaria muitos desempregados a ter mais oportunidade de emprego.

Cintra também citou como fundamental fazer com que a economia informal pague impostos. Na avaliação do secretário, “entre informalidade e sonegação a base tributária pode aumentar 30%, fazendo com que hoje quem paga muitos impostos possa pagar menos”.

Embora a Reforma da Previdência seja o item mais importante entre as reformas econômicas – para criar um ciclo de atração de fortes investimentos, fazendo a economia voltar a crescer e, consequentemente, reduzindo o desemprego –, lançar mão de medidas adicionais na área econômica que produzam um noticiário positivo é uma ação estratégica importante.

Como o tema da Previdência e o elevado desemprego fazem parte de uma agenda impopular e estão sendo debatidos num momento em que o governo perdeu popularidade e enfrenta o desafio de fazer avançar a articulação política com o Congresso, as medidas que o governo prepara têm potencial para gerar otimismo junto aos agentes econômicos.