Logo após a rejeição pelo Congresso da denúncia feita pela Procuradoria-Geral da República contra o presidente Michel Temer, o governo, na tentativa de retomar a agenda de reformas no Congresso, recolocou em pauta as negociações a respeito da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Previdência. Desde então o Centrão, formado por PP, PR, PTB, PSD e PSC, com 149 deputados, passou a ameaçar o Executivo.

Com o objetivo de aumentar seu espaço no governo, exige punição para os que votaram contra o presidente sob o argumento de que infiéis não podem ser tratados como aliados.

A ameaça não surtiu o efeito esperado e o tom subiu na semana passada. O líder do PP na Câmara, Arthur Lira (PP-AL), uma das principais lideranças do Centrão na Casa, afirmou que, se chegar uma nova denúncia contra o presidente num cenário de desorganização da base como o atual, será o fim da linha para o presidente. “Pode ser mortal”, afirmou.

A nova denúncia contra Michel Temer deve ser apresentada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ainda em agosto. Ele deixa a PGR no dia 18 de setembro.

Aprovação das reformas e MPs

Além das ameaças em relação à Previdência e ao presidente, o Centrão indica que pode dificultar a vida do governo em outras instâncias, como na análise da medida provisória que institui a Taxa de Longo Prazo nos financiamentos do BNDES e na da MP que cria o Novo Refis, programa de parcelamento de dívidas tributárias de pessoas físicas e jurídicas.

Apesar de durante a votação da denúncia contra o presidente o maior racha ter ocorrido no PSDB (dos 47 deputados, 22 votaram a favor de Temer; 21 foram contra; e quatro se ausentaram), houve dissidência também no Centrão: 24% do bloco votou pelo prosseguimento da denúncia. Mas o Centrão está de olho mesmo é nos cargos de outros partidos.

Desde a votação da denúncia, o clima entre o Planalto e sua base está tenso. A agenda governamental é impopular, a popularidade do governo é baixíssima e outras medidas de austeridade serão anunciadas. Por isso aliados estão cobrando um preço mais alto pelo apoio.

Hoje o maior desafio para o governo é a aprovação da Reforma da Previdência. Afinal, ela exige o apoio de 308 deputados e de 49 senadores. Para ter sucesso, o Palácio terá que contornar problemas com aliados, inclusive com o Centrão, e restringir o escopo da reforma.

Se não houver fatos novos, o segundo pedido de investigação da PGR contra o presidente também será barrado pela Câmara.

As ameaças do Centrão ao governo têm sido constantes. Mas a maior parte delas não chegou a se concretizar ou foi revertida posteriormente. Ao que tudo indica, não será diferente dessa vez.