O envolvimento de Aécio Neves (PSDB-MG) na delação de executivos da JBS, seu afastamento do mandato de senador, decretado pelo Supremo Tribunal Federal, e a prisão de sua irmã, Andrea Neves, inviabilizaram sua continuidade como presidente nacional do PSDB.

Para saber mais sobre a crise política e sobre a delação da JBS contra Temer leia:

PERGUNTAS E RESPOSTAS SOBRE A CRISE POLÍTICA
TEMER, AÉCIO, DELAÇÃO DA JBS: NÓS VIVEMOS UM WATERGATE POR DIA
TEMPOS ESTRANHOS

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A revelação do empresário Joesley Batista de que teria pago R$ 2 milhões ao senador para que ele arcasse com despesas relativas à sua defesa nas investigações da Lava-Jato, abala seriamente não apenas o tucano, mas também o PSDB. Aécio também é acusado pela Procuradoria-Geral da República de fazer articulações para impedir o avanço da Operação Lava-Jato.

Com a fragilização do político mineiro, está em curso a transição no comando nacional do PSDB À frente da sigla desde 2013, Aécio e seu grupo devem perder espaço para o diretório paulista.

Tasso Jereissati, presidente interino

Antes de deixar a presidência da legenda, Aécio tentou deixar o deputado federal Carlos Sampaio (PSDB-SP) em seu lugar. Porém, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), em articulação com outros governadores tucanos, como o de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), conseguiu emplacar o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) como presidente interino da sigla.

Além da proximidade com Aécio, Sampaio é visto pelos aliados de Alckmin como representante de uma renovação ainda maior no PSDB, o que poderia ajudar o prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), na definição do candidato tucano ao Palácio do Planalto.

Mesmo que Doria seja o nome com maior potencial eleitoral entre os presidenciáveis do PSDB, Geraldo Alckmin sinaliza que não desistirá de ser o candidato da sigla. Com esse objetivo, o governador almeja controlar o comando nacional do PSDB, posto fundamental na definição do nome que representará o partido na próxima disputa presidencial.

Minas x São Paulo

Vive-se uma transição na direção nacional do PSDB. Os tucanos mineiros e seus aliados perderam espaço. Assim, a tendência é que haja uma disputa entre os tucanos paulistas. Aqueles que defendem uma renovação mais acebtuada apostarão em Doria. O grupo mais tradicional, porém, deve se organizar em torno de Alckmin.

Esse embate é mais um desafio interno para o PSDB, que precisará gerenciar ainda o desgaste causado a Aécio Neves. Mesmo que a delação da JBS tenha se concentrado no senador, o desgaste da imagem da sigla é praticamente inevitável.

Nesse ambiente conturbado, a continuidade da aliança com o PMDB para sustentar o governo Michel Temer será outro debate que o partido precisará enfrentar. Diante do agravamento da crise política, há um grupo no PSDB que defende o desembarque da base. Outros, porém, querem aguardar um pouco mais.