Para saber mais sobre a crise política e sobre a delação da JBS contra Temer leia:
TÁ CHOVENDO PRA CIMA
LUTA DE MORTE NO PLANALTO CENTRAL
TEMER, AÉCIO, DELAÇÃO DA JBS: NÓS VIVEMOS UM WATERGATE POR DIA
O DESTINO DO PAÍS NAS MÃOS DO PSDB E DO DEM?

Compartilhe no Whatsapp:   http://bit.ly/2rNn3kK

 

Mesmo tendo ganho tempo nos últimos dias, a situação política do presidente Michel Temer é delicada. Prova disso é que nos bastidores do meio político a sucessão de Temer já é abertamente discutida.

Embora ainda preserve o apoio do mercado e do setor empresarial, que sonha com a aprovação das reformas trabalhista e previdenciária, Temer se transformou em refém da atual crise.

O presidente vive uma fragilidade jurídica, decorrente do inquérito aberto contra ele no Supremo Tribunal Federal (STF), e também do processo contra a chapa Dilma-Temer no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que poderá resultar em sua cassação.

Outro problema para Michel Temer é sua base política. Antes da crise desencadeada pela divulgação das delações de executivos da JBS, Temer ostentava um grande poder político no Congresso Nacional. Agora, como consequência da mudança no clima político, a situação se inverteu. Embora a base aliada ainda não tenha abandonado o presidente, é possível perceber uma dispersão dos aliados.

Tática da defesa

Temer também encontra obstáculos para impor sua narrativa. Mesmo que a defesa do presidente tenha adotado a estratégia de judicializar o debate, tentando desconstruir o conteúdo da gravação feita por Joesley Batista, a disputa política na opinião pública é praticamente perdida. Além da ofensiva da Rede Globo contra Temer, também pesa contra ele o fato do conteúdo da gravação, mesmo antes de sua revelação, ter sido vendida como uma verdade definitiva.

As dificuldades de Michel Temer não param. Há uma grande expectativa se o deputado federal Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) irá de fato assumir a responsabilidade do recebimento da propina paga pela JBS. Isso sem falar no ex-vice-governador do Distrito Federal, Tadeu Filippelli (PMDB), assessor do presidente, que hoje teve sua prisão temporária decretada nas investigações supostas fraudes nas obras do Estádio Mané Garrincha para a Copa do Mundo de 2014.

O custo político da crise

Mesmo que a falta de credibilidade do sistema político, a ausência de um “Plano B” a Temer, e os embates jurídicos que podem convulsionar ainda mais o país possam ajudar o presidente a continuar, a capacidade do governo em reverter a atual crise parece cada vez menor.

Assim, mesmo que Temer venha a continuar no cargo, seu capital político está sendo todo consumido pela atual crise, criando grandes obstáculos para o avanço das reformas, assim como a superação da crise econômica.

Num cenário tão conturbado, onde Michel Temer não dispõe de apoio social devido a sua baixa popularidade, o custo político de manter a fidelidade ao governo fica mais elevado a cada dia.