O presidente Michel Temer (PSDB) ganhou um fôlego com o adiamento do julgamento no TSE e trabalha para ampliar o apoio à reforma da previdência. O congresso continua deliberando as reformas sem nenhuma definição ainda. O PT elege este fim de semana suas lideranças e se aproxima o depoimento de Lula à Moro na Lava Jato.

TSE

Nesta quinta-feira (6) o ex-ministro, Guido Mantega, foi ouvido no TRE de São Paulo sobre a chapa Dilma-Temer. O ministro Herman Benjamin marcou para dia 17 de abril os depoimentos do publicitário João Santana, que fez campanha para a chapa, a mulher dele, Mônica Moura, e André Santana, apontado como operador do casal. A expectativa é que finalizados os testemunhos termine a fase de instrução e comecem a contar os cinco dias para as alegações finais.

Reformas

O termômetro da reforma da previdência está desfavorável ao governo. Um certo levante de Renan Calheiros (PMDB-AL) foi contornado e Michel Temer conseguiu evitar um desembarque do PMDB da base aliada. No entanto os deputados ainda não estão convencidos com a abrangência e impacto das mudanças nas regras da previdência. Mesmo com os 5 pontos flexibilizados por Temer, segundo o Estadão metade da câmara ainda esta contra a proposta, do jeito que ela está.

A reforma política também está começando a tomar sua forma final de lista fechada para 2018 com transição para o sistema distrital nas eleições seguintes. O Relator Vicente cândido pretende discutir com os senadores na semana que vem a proposta e as manifestações a favor e contra continuam alimentando a discussão.

Para o presidente do TSE, Gilmar Mendes, sem a reforma o Brasil corre o risco de ter uma eleição “muito distorcida” em 2018 se não aprovar uma mudança em seu sistema eleitoral até 2 de outubro deste ano.

“Vamos para a eleição de 2018, que é uma eleição grande, sem modelo específico, só com doação das pessoas físicas –que não há tradição no Brasil, e muito provavelmente vamos ficar entregues ao crime organizado, a pessoas que já trabalham no ilícito, ou a algumas organizações que têm modo próprio de financiamento”, disse Mendes, pouco antes de falar em evento no MIT (Massachusetts Institute of Technology), em Cambridge.

Para Marina Silva (Rede), ex-candidata à presidência, participante do mesmo evento, onde estiveram também presentes, Gilmar Mendes, José Eduardo Cardozo, Dilma Rousseff e Sérgio Moro, disse que em sua opinião, os caciques políticos sairão fortalecidos se a reforma política avançar como foi apresentada.

— Da forma como está posta é para institucionalizar a aberração que está criada com a história da classe política — disse.

Rio de Janeiro

Os conselheiros do TCE-RJ foram soltos pelo STJ e afastados de seus cargos por 180 dias. Terão que entregar os passaportes em até 24 horas e foram proibidos de entrar no TCE e de contatar qualquer funcionário da casa.

O governador do Rio de Janeiro, Luiz Pezão, pediu auditoria federal nas contas do estado. Ele contesta os números divulgados pelo TCE e diz acreditar que as denúncias na Lava-Jato influenciaram a análise dos conselheiros. Disse também que irá processar o delator da operação Quinto do Ouro, Jonas Lopes Neto, que teria acusado Pezão de ter R$900 mil reais de despesas pessoais pagas pelo esquema do TCE:

“É uma mentira deslavada. Nem conheço Jonas Lopes Neto. Tenho muita tranquilidade quanto a essas acusações. Quem conhece meu padrão de vida, sabe. Nem meus quatro anos de salário chegam a um dinheiro desses. A única coisa que eu sei é que vou processá-lo”, afirmou Pezão.

VI Congresso Nacional do PT

Até domingo o PT terá um novo presidente, a disputa está entre os senadores Gleisi Hoffmann (PT-PR) e Lindbergh Farias (PT-RJ). Gleisi é a escolha de Lula e apesar do pedido do líder petista Lindbergh não aceitou retirar-se da disputa. O secretário-geral do partido, Romênio Pereira, apresentou uma proposta de criar o cargo de vice presidente nacional para que Lindbergh tenha também um espaço na liderança do partido sem ter que derrotar a senadora paranaense.

Lula, por sua vez, está prestes a depor para o juiz Sérgio Moro sobre o caso do Triplex. Lula se diz ansioso para poder se defender e ver quais provas serão apresentadas contra ele. Em Curitiba manifestações de apoio e repúdio ao ex-presidente estão sendo organizadas.

Com informações d’O Globo, Estadão e Folha.