O clima está nublado em Brasília. A expectativa da apresentação da PEC 287/2016, que trata da Reforma da Previdência, pelo relator Arthur Maia, esquenta as discussões. O presidente Michel Temer, em reunião com Maia, fixou alguns pontos dos quais o governo não abrirá mão. Mas algumas mudanças já sinalizariam um possível recuo para facilitar a aprovação da reforma. Temer nega recuo e diz que autorizou Maia a flexibilizar alguns pontos, sem descaracterizar a reforma. Ainda assim a rejeição da matéria no congresso é grande, mesmo entre os deputados da base aliada.

Críticas de Renan Calheiros

Além disso, a elevação do tom das críticas de Renan Calheiros ao governo Temer está causando desconforto dentro do PMDB. Ele teria tecido críticas ao governo em um jantar com membros do partido, em busca de apoio. No dia seguinte, o senador repetiu as críticas na tribuna do plenário:

“Eu fiz uma manifestação a partir da minha percepção e pela convivência que tive com os dois, a Dilma e o Temer. A presidente Dilma sempre me passou a impressão de que não sabia para onde ir. E o presidente Michel Temer, com essa política econômica de arrocho, de juro alto, de aumento de imposto, de recessão, de desemprego, se não mudar, está passando a percepção que não tem para onde ir. Ou seja, a presidente Dilma não sabia para onde ir e o presidente Michel Temer não tem para onde ir com essa política recessiva”, afirmou Renan.

O pronunciamento desagradou a bancada. Para os correligionários o senador alagoano estaria focando em questões políticas pessoais (representatividade política em AL) em detrimento das relações políticas do partido.

O presidente Temer, que ainda não havia se pronunciado sobre o assunto, disse:

“Eu compreendo o Renan e há as dificuldades dele. De alguma maneira, ele sempre agiu dessa maneira. Ele vai e volta. Então, estou tratando com muito cuidado politicamente. Até porque não posso todo momento brigar com quem não é presidente da República”, disse.

O posicionamento do planalto é tentar uma reaproximação de Calheiros e Temer e observar com cautela os passos do peemedebista com relação às reformas pretendidas pelo governo.

Com informações da Folha, O Globo e Estadão.