Ofuscados pelas pautas polêmicas do Congresso e a crise da carne os depoimentos de empresários da Odebrecht estão a pleno vapor. Cada sessão abre mais e mais linhas de investigação no maior escândalo de corrupção da história, não escapa ninguém. Esta semana o ex-presidente da construtora, Marcelo Odebrecht, afirmou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que “inventou” a campanha da ex-presidente Dilma Rousseff em 2014 e que “não tem a menor dúvida” de que Dilma tinha conhecimento do pagamento de despesas de campanha com recursos de caixa 2. Ainda sobre as eleições de 2014 o ex-executivo da Odebrecht José de Carvalho Filho disse que o atual ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha (PMDB), lhe passou todos os endereços para o pagamento de R$ 4 milhões destinados ao PMDB durante a campanha eleitoral.

As informações teriam vindo de novos vazamentos o que colocou novamente o ministro do STF e presidente do TSE Gilmar Mendes em posição de ataque:

“Eu deploro seriamente e exijo que nós façamos a devida investigação desse vazamento agora lamentavelmente ocorrido. Eu acho que isso fala mal das instituições. É como se o Brasil fosse um país de trambiques, de infrações”, disse o ministro, nesta sexta (24), em seminário sobre reforma política no tribunal.

Mendes disse que vai providenciar a investigação dos vazamentos de depoimentos ao TSE – embora a corregedoria do tribunal já tenha tomado essa providência. “Isso não pode ser sistematizado. Ou se tem lei, ou se pede a divulgação e se quebra o sigilo. Agora, o vazamento feito por autoridade pública é crime e vamos investigar”, disse.

Parte do depoimento de Marcelo Odebrecht foi publicado pelo site “O Antagonista”, na mesma semana que Mendes criticou duramente o procurador Geral da República, Rodrigo Janot, pelos vazamentos da lista de abertura de inquéritos da Lava-Jato.

O pecado da carne

Uma semana de Operação Carne Fraca e a defesa do consumidor determina recolhimento dos produtos distribuídos a supermercados e também vendidos a consumidores. Segundo a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) os frigoríficos Souza Ramos, Transmeat e Peccin, que estão entre os 21 investigados pela Operação Carne Fraca têm até cinco dias para dar início ao recall.

“Diante dos fatos, em 23 de março, a Senacon determinou que Souza Ramos, Transmeat e Peccin iniciem em até 5 dias o recall das carnes provenientes dos estabelecimentos mencionados. Todos os produtos com origem naqueles estabelecimentos devem ser recolhidos, com o devido reembolso ao consumidor, daquilo que for por ele restituído aos pontos de venda”, diz a nota da secretaria.

Segundo a Senacon, quem deve informar aos consumidores quais produtos sofreram adulteração ou serão recolhidos são as empresas, ainda nenhuma delas se pronunciou.

A semana termina com quase 20 países que tomaram medidas restringindo a entrada da carne brasileira em seus territórios. Segundo o ministro do planejamento, Dyogo Oliveira, o impacto da operação Carne Fraca será sentido no PIB afetando o crescimento da economia e o volume de exportações do país.