O debate sobre a Reforma da Previdência criou um problema colateral para o governo: os protestos de movimentos sociais alinhados com o PT e fortemente influenciados pela liderança do ex-presidente Lula. Em 15 de março, Dia Nacional de Paralisações, foram registradas manifestações em 17 capitais. Em São Paulo, o Sindicato dos Metroviários realizou uma greve do metrô, provocando uma série de transtornos na cidade durante a manhã, quando os ônibus também pararam.

Sem discurso desde o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, Lula está usando a oposição à Reforma Previdenciária como bandeira para mobilizar sua base social. O foco do seu discurso é tentar colar no presidente Michel Temer uma imagem contrária ao interesse dos trabalhadores.

PT e os movimentos sociais

Não por acaso na semana passada, ao discursar na Avenida Paulista, Lula afirmou: “O golpe não foi contra a Dilma. Foi para colocar no poder alguém sem legitimidade para acabar com direitos que levaram anos para serem conquistados. Os exemplos são as reformas Trabalhista e da Previdência”. Lula também acusou Temer de construir uma base no Congresso “obstinada em proibir que milhões de brasileiros se aposentem”.

Embora o PT não disponha de força política para estabelecer uma agenda capaz de criar dificuldades para o governo, o partido está utilizando sua influência entre os movimentos sociais alinhados para “fazer barulho” contra as reformas.

Em que pese o desgaste do PT, esses protestos são acompanhados de perto pelo Palácio do Planalto. Isso porque a Reforma da Previdência é um tema que mexe com muitos interesses de diversos setores.

Está prevista para hoje uma reunião das centrais sindicais para acordar uma nova data de paralisação nacional. Manifestação contra as reformas Previdenciária e Trabalhista e contra os projetos que regulamentam a terceirização no país.

Com as centrais sindicais nas ruas, aumenta a pressão sobre o Congresso e dificulta ainda mais a tramitação da reforma. Tudo o que o governo não queria.