O presidente da República, Michel Temer, defendeu de forma enfática a Reforma da Previdência, com o argumento de que “quem reclama das mudanças propostas pelo governo são as pessoas que ganham mais”. Temer disse ainda que é preciso a população se conscientizar sobre a necessidade da reforma, pois a responsabilidade social depende da responsabilidade fiscal e do reequilíbrio das contas públicas.

O presidente falou durante reunião, no Palácio do Planalto, do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), o Conselhão, grupo que agrega representantes do governo, do empresariado e de diferentes setores da sociedade civil na discussão de medidas econômicas e de políticas públicas.

“Cerca de 65% dos trabalhadores brasileiros terão a aposentadoria integral porque ganham o salário mínimo. Lamento dizê-lo, mas o mínimo na Previdência é o salário mínimo”.

“Então, quem eventualmente possa insurgir-se é um grupo (menor de pessoas) de 27%, 37% (…) Quem reclama é na verdade quem ganha muito mais, muito acima desses tetos. Quem tem aposentadoria precoce, quem tem antes da Previdência geral”, afirmou o presidente na abertura do encontro.

Uma só Previdência para todos

“Estamos igualando a Previdência pública com a geral, será uma só. É uma equalização do sistema previdenciário. Estamos preocupados com o futuro dos que irão receber a pensão”, completou Temer.

Ele citou o aumento na expectativa de vida da população e as mudanças demográficas para justificar a reforma. Temer afirmou ainda que é uma “inverdade absoluta” que as mudanças nas regras vão retirar direitos dos trabalhadores.

A cartilha completa, com as propostas da reforma pode ser acessada 

Além de defender a reforma da Previdência, Temer argumentou a favor de outras propostas elaboradas pelo governo classificadas por ele como “fundamentais” para o país. O presidente citou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que instituiu o teto para gastos da União, a reforma do Ensino Médio – já aprovada – e a reforma trabalhista, em tramitação na Câmara dos Deputados.

No evento, o grupo de empresários entregou a Temer uma série de sugestões sobre cinco áreas que merecem atenção do governo: educação, desburocratização, ambiente de negócios, agronegócio e produtividade.

Além de Temer, também participaram da reunião do Conselhão o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), e o secretário-executivo da Casa Civil, Daniel Sigelmann.

Crise dos Estados

Ao mencionar a grave crise fiscal vivida pelos estados, Michel Temer deu como exemplos a situação dos três estados em piores condições: Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Minas Gerais. Repetiu que a União está disposta a ajudar os governos estaduais, mas precisa assegurar contrapartidas econômicas, que serão analisadas pelas assembleias legislativas locais, a exemplo do já ocorre no Rio.

“De vez em quando dizem assim: ‘Ah, não conseguiu aprovar, o governo perdeu’. O governo não perde, não. Quem vai perder são os estados federados. Nós estamos interessados na higidez da federação brasileira, então precisamos disso no Congresso como uma vitória dos estados, com apoio e empenho da União”, afirmou.