O segundo turno da eleição presidencial no Equador, que será disputado entre o governista Lenín Moreno (defensor de um maior ativismo estatal na economia) e o opositor Guilherme Lasso (partidário de medidas liberais), mais do que definir o novo mandatário do país será fundamental para a correlação de forças na América do Sul. Uma nova derrota da esquerda, representada por Moreno, o candidato do governo Rafael Correa, reforçará a leitura que a balança de poder na América do Sul pende para a centro-direita.

Num passado não muito distante, tivemos o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) no Brasil, que levou ao poder o presidente Michel Temer (PMDB), além das vitórias de Mauricio Macri na Argentina e Pedro Pablo Kuczinsky no Peru, ambos presidentes apoiados por partidos de centro-direita.

Além de Temer, Macri e Kuczinsky, os presidentes Juan Manuel Santos (Colômbia) e Horácio Cartes (Paraguai) também estão localizados na centro-direita do espectro ideológico. Na América do Sul, há ainda governantes de centro-esquerda “moderna”: casos de Michele Bachelet (Chile) e Tabaré Vázquez (Uruguai). E também da chamada esquerda “tradicional”: Evo Morales (Bolívia), Rafael Correa (Equador) e Nicolás Maduro (Venezuela).

Dos 10 países sul-americanos, cinco estão à centro-direita (Brasil, Argentina, Peru, Colômbia e Paraguai). Dois são comandados pela centro-esquerda “moderna” (Chile e Uruguai), enquanto três estão com a esquerda “tradicional” (Bolívia, Equador e Venezuela).

Assim, a eventual vitória de Guilherme Lasso no segundo turno da eleição presidencial equatoriana, mais que fortalecer a centro-direita sul-americana, representará um novo revés para a chamada esquerda “tradicional”, que ficaria com o poder em apenas dois países: Bolívia e Venezuela. Nota-se que nessas duas nações, os presidentes Evo Morales e Nicolás Maduro enfrentam uma conjuntura bastante adversa.

No primeiro turno da eleição presidencial no Equador, Lenín Moreno, que representa o governo Correa, obteve 39,36% dos votos válidos. Guilherme Lasso, seu adversário no segundo turno, contabilizou 28,09%.

Os demais candidatos, também de oposição, tiveram a seguinte votação: Cynthia Viteri (16,32%), Paco Moncayo (6,71%), Abdalá “Dalo” Bucaram (4,82%), Iván Espinel (3,18%), Patricio Zuquilanda (0,77%) e Washington Pesántez (0,75%). Somando a votação dos candidatos que não chegaram ao segundo turno temos 32,55% dos votos válidos.

Ao que tudo indica, a maior parcela desse 1/3 do eleitorado equatoriano que optou por outras candidatura no primeiro turno migrou para Guilherme Lasso. Na primeira pesquisa do segundo turno, realizada pela empresa Cedatos, Lasso aparece com 52,1% das intenções de voto contra 47,9% de Lenín Moreno.

Na comparação com o primeiro turno, Moreno agregou apenas 8,54 pontos percentuais a sua votação, enquanto Lasso cresceu 24,01 pontos.

A tendência é que o segundo turno no Equador seja bastante disputado. Apesar do governo Rafael Correa controlar a máquina, é real a possibilidade de seu candidato, Lenín Moreno, ser derrotado, e fortalecer ainda mais as forças de centro-direita na região.