A pesquisa CNT/MDA divulgada nessa quarta-feira (15) sobre a sucessão de 2018 mostra que o ex-presidente Lula (PT) cresceu em todos os cenários testados. Lula está na liderança isolada nas duas simulações de primeiro turno. Em relação ao quadro registrado em outubro do ano passado, nota-se algumas mudanças interessantes:

  • O deputado federal Jair Bolsonaro (PSC) está hoje tecnicamente empatado na segunda posição com a ex-senadora Marina Silva (REDE);
  • Os potenciais candidatos do PSDB ao Palácio do Planalto (o senador Aécio Neves-MG e o governador Geraldo Alckmin-SP) estão numericamente atrás de Bolsonaro e Marina, embora os tucanos estejam tecnicamente empatados considerando a margem de erro (2,2 pontos percentuais para mais ou para menos);
  • O pré-candidato alternativo a Lula mais a esquerda, o ex-governador e ex-ministro Ciro Gomes (PDT), assim como o presidente da República, Michel Temer (PMDB), apresentam baixa densidade eleitoral;

Apesar da liderança de Lula, os baixos percentuais das alternativas do PSDB, somado aos índices de Marina e Bolsonaro (contabilizam juntos mais de 23%) com os brancos, nulos e indecisos (mais de 27%) sugerem que o eleitorado busca uma “nova alternativa” para a próxima sucessão presidencial. Em outras palavras, há espaço para o surgimento de um “outsider” na política brasileira.

No primeiro cenário testado, Lula tem 18,7 pontos percentuais de vantagem sobre Marina Silva, que está tecnicamente empatada com Jair Bolsonaro e Aécio Neves. Ciro Gomes e Michel Temer aparecem logo atrás (ver tabela abaixo).

Nota-se que Lula cresceu em relação ao levantamento de outubro do ano passado. Hoje o ex-presidente já aparece com os 30% que historicamente a esquerda possui. Constata-se também que Marina, Aécio, Ciro e Temer estão numa trajetória de queda, enquanto Bolsonaro cresceu. Brancos, nulos e indecisos soma quase 1/3 do eleitorado.

CANDIDATOS OUT/2016 FEV/2017
Lula (PT) 24,8% 30,5%
Marina Silva (REDE) 13,3% 11,8%
Jair Bolsonaro (PSC) 6,5% 11,3%
Aécio Neves (PSDB) 15,7% 10,1%
Ciro Gomes (PDT) 7,4% 5,0%
Michel Temer (PMDB) 6,2% 3,7%
Branco/Nulo 16,9% 16,3%
Indeciso 9,2% 11,3%

*Fonte: CNT/MDA

Na segunda simulação sobre o primeiro turno, com o PSDB sendo representando pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e o PMDB pelo empresário Josué Alencar, filho do falecido ex-vice-presidente José Alencar, o cenário é muito similar.

Lula está na liderança com mais de 19 pontos percentuais sobre Marina Silva, a segunda colocada, tecnicamente empatada com Jair Bolsonaro e Alckmin. Nota-se que o governador paulista tem praticamente a mesma densidade eleitoral que o senador Aécio Neves.

Ciro Gomes e Josué Alencar registram baixos índices de intenção de voto. Assim como na primeira simulação, o percentual de brancos, nulos e indecisos é elevado: 29%.

CANDIDATOS FEV/2017
Lula (PT) 31,8%
Marina Silva (REDE) 12,1%
Jair Bolsonaro (PSC) 11,7%
Geraldo Alckmin (PSDB) 9,1%
Ciro Gomes (PDT) 5,3%
Josué Alencar (PMDB) 1,0%
Branco/Nulo 17,1%
Indeciso 11,9%

*Fonte: CNT/MDA

Caso seja o candidato do PT em 2018, o ex-presidente Lula tem boas possibilidades de estar no segundo turno. A dúvida é quem seria seu adversário. Nas duas simulações testadas pela CNT/MDA, nota-se uma grande pulverização do voto entre Marina, Bolsonaro, Aécio/Alckmin, Ciro e Temer, abrindo o espaço para o surgimento de uma novidade, o que quebraria a polarização entre petistas e tucanos iniciada em 1994.

Por outro lado, se o candidato petista não for Lula, o quadro ficará ainda mais imprevisível. Sem o ex-presidente, cresceriam as possibilidades de Marina ou algum nome de perfil semelhante ao da ex-senadora chegar ao segundo turno muito provavelmente contra o PSDB.

Segundo Turno: Lula venceria adversários, mas cenário é de indefinição

As simulações de segundo turno realizadas pela CNT/MDA aponta que o ex-presidente Lula (PT) venceria todos seus possíveis adversários. Porém, o elevado percentual do chamado “não voto” (brancos, nulos e indecisos) mostra que, além de muitos votos em disputa, há o espaço para o surgimento de uma novidade, conforme podemos observar já nas sondagens de primeiro turno.

Lula, que em outubro perdia para Aécio, agora supera o senador do PSDB por uma vantagem de 12,2 pontos percentuais. Em relação a pesquisa anterior, Lula ganhou 5,9 pontos, enquanto Aécio perdeu 9,6. Brancos, nulos e indecisos contabilizam 32,8%.

CANDIDATOS OUT/2016 FEV/2017
Lula (PT) 33,8% 39,7%
Aécio Neves (PSDB) 37,1% 27,5%
Branco/Nulo 23,7% 25,5%
Indeciso 5,4% 7,3%

*Fonte: CNT/MDA

O ex-presidente também venceria Marina. Contra a ex-senadora, a vantagem de Lula é de 11,5 pontos. Brancos, nulos e indecisos somam 33,7%.

CANDIDATOS OUT/2016 FEV/2017
Lula (PT) 33,2% 38,9%
Marina Silva (REDE) 35,8% 27,4%
Branco/Nulo 25,5% 25,9%
Indeciso 5,5% 7,8%

*Fonte: CNT/MDA

Contra Michel Temer, a vantagem de Lula sobre o atual presidente da República é de 23,9 pontos percentuais. Brancos, nulos e indecisos somam 38,1%.

CANDIDATOS OUT/2016 FEV/2017
Lula (PT) 37,3% 42,9%
Michel Temer (PMDB) 28,5% 19,0%
Branco/Nulo 27,8% 29,3%
Indeciso 6,4% 8,8%

*Fonte: CNT/MDA

Num eventual segundo turno entre Aécio Neves e Marina Silva, haveria um empate técnico entre os pré-candidatos do PSDB e REDE. Porém, a trajetória é favorável a Marina, que oscilou negativamente dentro da margem de erro, enquanto Aécio perdeu 6,8 pontos.

CANDIDATOS OUT/2016 FEV/2017
Aécio Neves (PSDB) 35,4% 28,6%
Marina Silva (REDE) 29,5% 28,3%
Branco/Nulo 28,0% 31,9%
Indeciso 7,1% 11,2%

*Fonte: CNT/MDA

Embora tenha perdido pontos em relação a outubro do ano passado, Marina ainda venceria Michel Temer. A vantagem da candidata do REDE é de 17,6 pontos.

CANDIDATOS OUT/2016 FEV/2017
Marina Silva (REDE) 38,1% 34,4%
Michel Temer (PMDB) 23,7% 16,8%
Branco/Nulo 30,2% 35,2%
Indeciso 8,0% 13,6%

*Fonte: CNT/MDA

Mesmo desgastado por conta das investigações da Operação Lava-Jato e também pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, assim como pelo forte desgaste que abala a imagem do PT, Lula preserva um importante capital político.

Lula é beneficiado por ter sido o último presidente em que o país registrou um forte crescimento econômico, o que gera uma lembrança positiva de seu legado, sobretudo junto a população das classes D e E.

Apesar desses fatores, a densidade eleitoral de Lula não é a mesma do passado. Porém, o presidente é ajudado pela avaliação negativa do governo Michel Temer, e a dificuldade que Marina Silva encontra para se posicionar no atual cenário, mesmo problema pelo qual passa o PSDB. Ciro Gomes, apesar de ser uma liderança forte no Ceará, é também um líder desgastado.

Nesse cenário de incertezas, está disponível no tabuleiro o espaço para uma novidade. Aliás, não é por acaso que Jair Bolsonaro, um nome com imagem de “outsider”, aparece tecnicamente empatado em segundo lugar nas simulações de primeiro turno e brancos, nulos e indecisos superam os 30% do eleitorado.