O balanço inicial da campanha pela presidência da Câmara dos Deputados indica amplo favoritismo do atual comandante da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Mesmo sob a incerteza jurídica de que possa se manter no cargo, ele vem avançando na conquista de apoios.

Além da preferência do Palácio do Planalto e do apoio total do DEM, Maia conta com a adesão do PMDB e do PSDB, as maiores bancadas governistas da Casa. Os tucanos embarcaram na ideia da recondução do atual presidente após o compromisso do presidente Michel Temer de nomear o ex-líder Antônio Imbassahy (BA) para a Secretaria de Governo, o que esvaziou as pretensões do partido de lançar candidatura própria.

Rodrigo Maia também está conquistando votos nas legendas de oposição e no Centrão, bloco de partidos médios com cerca de 200 deputados. O apoio de parte desse grupo a Maia desidrata ainda mais as candidaturas de Rogério Rosso e Jovair Arantes, líderes do PSD e do PTB, respectivamente.

Rosso, que foi o primeiro a lançar candidatura, vem passando por um processo acelerado de isolamento. Sem o apoio integral dentro da própria bancada e sem o apoio do líder máximo da legenda, ministro Gilberto Kassab, o deputado já admite desistir da disputa.

Essa eventual desistência tende a beneficiar mais Rodrigo Maia que Jovair. O líder do PTB trabalha sob a lógica de “pescar” votos nas legendas, ciente de que dificilmente terá apoio irrestrito de alguma bancada, exceto a de seu partido.

A quarta candidatura, do ex-líder do PDT e ex-ministro do governo Dilma André Figueiredo, ainda não foi lançada oficialmente, mas já vem sendo trabalhada nos bastidores. O pedetista busca a união dos partidos de esquerda em torno de seu nome. Mas trata-se de difícil missão porque parte dessas legendas está marchando com Maia. Além do próprio PDT, Figueiredo só conseguiu até agora a adesão de uma ala do PSB comandada pelo deputado Júlio Delgado (MG). Ele também mantém conversas com o PT e o PCdoB, que ainda não fecharam questão mas tendem a votar em Maia.

Os petistas vivem uma crise interna em função da disposição de respaldar o atual presidente. Há uma cobrança por coerência em torno do partido. O discurso é o de que o PT não poderia apoiar uma candidatura de um aliado do governo Temer, um dos responsáveis pela derrubada da ex-presidente petista Dilma Rousseff. Por sua vez, o líder da bancada, Carlos Zarattini, justifica que a participação na chapa de Maia é uma forma de respeitar o princípio da proporcionalidade, que garante ao partido um cargo na Mesa Diretora.

No entanto, o desfecho da sucessão na Câmara não se dará apenas com a eleição marcada para o dia 2 de fevereiro. Há várias ações apresentadas ao Supremo Tribunal Federal (STF) contestando a legalidade da candidatura de Rodrigo Maia. Elas se baseiam em dispositivo constitucional que veda a recondução de um membro da Mesa para o mesmo cargo dentro da mesma legislatura. Dessa forma, a depender da decisão do STF, a sucessão pode ganhar outros rumos.