Ao defender a antecipação das eleições presidenciais de outubro de 2018 para 2017, o PT e o ex-presidente Lula apostam na precipitação do debate sucessório como forma de desgastar o governo Michel Temer (PMDB) e politizar o debate envolvendo as investigações da Operação Lava-Jato.

Como o PT não dispõe de um nome alternativo a Lula com a mesma competitividade eleitoral (as últimas pesquisas mostram que, mesmo desgastado, o ex-presidente teria fôlego para chegar ao segundo turno), há uma forte disposição para blindar Lula de eventuais condenações na Justiça por conta de seu envolvimento no escândalo do petrolão.

Ao lançar a candidatura de Lula precocemente e defender a antecipação da disputa de 2018 para este ano, o PT trabalha para impedir que a candidatura do ex-presidente seja inviabilizada, o que pode ocorrer se ele for condenado por um colegiado, sendo nesse caso enquadrado pela Lei da Ficha Limpa.

Embora ele ainda não tenha sido oficialmente lançado, a colocação do nome de Lula no tabuleiro sucessório já é debatida internamente. A partir de seu lançamento, avalia o PT, qualquer condenação futura daria o argumento ao ex-presidente de que isso estaria ocorrendo para impedi-lo de disputar o Palácio do Planalto.

Por outro lado, a proposta de politização do debate evidencia a preocupação do PT com a Justiça, pois Lula já foi considerado réu em cinco inquéritos.