2016 foi um ano e tanto para a política brasileira. Crise, troca de presidente da República, picuinhas que mais pareceram bate-boca na hora do lanche da escola, e a Operação Lava-Jato trazendo à tona uma série de denúncias envolvendo importantes nomes do mundo político.

Para muitos, o cenário caótico é a esperança de mudanças futuras, e o início da superação da crise econômica e política. Para outros, 2017 será igualmente turbulento. Ainda é cedo para se ter certeza. Enquanto o novo ano não dá seu tom, relembre os 10 momentos mais constrangedores da política brasileira em 2016:

1- Impeachment de Dilma Rousseff

Dilma Rousseff não foi nem de longe a estadista mais popular ou bem articulada. Mais do que erros gramaticais ou frases sem sentido em suas aparições públicas, a ex-presidente cometeu erros administrativos graves, que contribuíram para que a crise econômica se agravasse.

Um impeachment é sempre algo constrangedor para um país, pois desestabiliza ainda mais a economia, e traz mais desesperança ao povo. Dilma resistiu, mas foi sentenciada ao esquecimento.

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2- Bate-boca entre Gleisi Hoffman e Ronaldo Caiado

Durante o julgamento do impeachment no Senado, os senadores Ronaldo Caiado e Gleisi Hoffmann protagonizaram um dos momentos mais constrangedores, quando se envolveram num acalorado bate-boca.

Gleisi provocou a ira de Caiado ao dizer que a metade dos senadores não tinha moral para julgar a conduta de Dilma Rousseff. O senador a acusou de assaltante de aposentados, e foi acusado de volta de promover trabalho escravo. Outros parlamentares se envolveram e o ministro Lewandowski, do STF, paralisou a sessão por cinco minutos.

3- Lula: “Não existe uma viva alma mais honesta do que eu”

No início do ano, em café da manhã com blogueiros, o ex-presidente Lula afirmou não existir uma viva alma mais honesta do que ele. Na época, Lula ainda não era alvo da Operação Lava-Jato, mas muitos de seus aliados, como José Dirceu, já estavam em situação complicada.

Menos de um ano depois da afirmação, Lula foi alvo de condução coercitiva pela Polícia Federal, e é réu em 5 inquéritos diferentes. Ele, contudo, nega todas as acusações. O que fica no ar é se o ex-presidente poderá ou não ser preso em breve.

4- Honestidade à prova de tudo. Ou quase tudo

A votação do impeachment na Câmara foi extensa. Deputados votaram em nome de Deus, de suas famílias, e um ou outro, em nome do povo brasileiro. Alguns colocaram a honestidade acima de tudo, como por exemplo, a deputada Raquel Muniz, do PSD.

Em seu voto (veja vídeo abaixo), a deputada cita o marido, o então prefeito da cidade de Montes Claros (MG), como exemplo de honestidade e gestão competente. Não seria um problema, se Ruy Muniz não tivesse sido preso apenas alguns dias após o discurso, sob acusação de fraudes em licitações na área de saúde, à frente de sua gestão na cidade mineira.

5- Briga Calero e Geddel

Marcelo Calero assumiu o Ministério da Cultura após o presidente voltar atrás, e decidir não extinguir a pasta, após uma série de manifestações da classe artística. Menos de seis meses depois, pediu demissão. O motivo teria sido a desavença com um dos homens fortes de Temer, Geddel Vieira Lima (Governo).

A desavença ganhou a mídia e mais parecia um bate-boca de recreio pré-escolar. Geddel teria pressionado Calero, por conta de interesse pessoal, a liberar obra embargada pelo Iphan, de um prédio residencial em Salvador, onde Geddel teria comprado uma unidade.

Veja a entrevista de Calero ao programa Fantástico:

Sobrou até para o presidente Temer, acusado por Calero de tê-lo pressionado em favor de Geddel. Geddel acabou deixando também o governo, a briga esfriou e ficou por isso mesmo.

6- Ops, vazou

Antes mesmo de Dilma Rousseff ser sentenciada ao afastamento da presidência da República, Michel Temer aparentemente contava com a certeza de assumir a vaga. Um áudio de discurso com duração de 14 minutos teria sido enviado por engano a parlamentares do PMDB.

Ouça neste link.

A questão é: não seria o primeiro vazamento por engano do agora presidente da República.

7- Seis ministros em seis meses

Michel Temer assumiu o cargo de presidente da República com difíceis missões: conter a crise econômica, acalmar os ânimos políticos e ainda trazer de volta algum contentamento ao povo. Tudo que não precisava era de turbulências internas.

Em meio a votações marcadas para aprovar medidas importantes, Temer viu 6 de seus ministros caírem em apenas 6 meses. Um problema que não passou despercebido, e não colaborou em nada com as missões que o presidente tinha à frente.

Veja a lista de quais ministros caíram e o porquê:

Romero Jucá (ministro do Planejamento, maio/2016): saiu depois da divulgação de áudios em que dá a entender a sugestão de um pacto para barrar a Operação Lava-Jato

Fabiano Silveira (ministro da Transparência, Fiscalização e Controle, em maio/2016): também saiu em virtude da divulgação de áudios da Lava-Jato, nos quais critica a Operação e orienta Renan Calheiros

Henrique Eduardo Alves (ministro do Turismo, junho/2016): a baixa veio depois de uma acusação por recebimento de propina, maquiada de doação eleitoral

Fábio Medina Osório (advogado-geral da União, em agosto/2016): demitido após uma discussão com o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha.

Marcelo Calero (ministro da Cultura), e Geddel Vieira Lima (ministro da Secretaria de Estado, ambos em novembro/2016): o motivo foi uma desavença, conforme explicado em tópico anterior

8- Levantou e foi trabalhar, mesmo impedido pelo STF

O ministro do STF, Marco Aurélio Mello, acatou pedido de afastamento do presidente do Senado, Renan Calheiros, após este se tornar réu pelo crime de peculato. A decisão gerou tensão às vésperas da votação da PEC dos Gastos, e agravou a crise entre os Poderes Legislativo e Judiciário.

Mesmo com a decisão, no dia seguinte Renan compareceu à Casa. Uma outra votação foi convocada, e os ministros do STF, em sua maioria, reverteram a decisão de afastamento, porém impediram o presidente do Senado de fazer parte da linha sucessória da presidência. Um meio termo, pela paz na política.

9- Judiciário Popstar

Desde Sérgio Moro e a Operação Lava-Jato, a população está em lua-de-mel com o Poder Judiciário. A fama colocou procuradores e juízes em posição favorável, e de vez em quando algum ministro do STF figura na mídia com declarações polêmicas.

O cenário gerou uma crise institucional com o Legislativo, e se criou, muito pela mídia, uma narrativa de mocinhos x bandidos.

Para alguns especialistas, há exageros nas condutas dos dois lados. A ameaça de renúncia pela força tarefa da Lava-Jato em resposta à aprovação do pacote de medidas anticorrupção é um exemplo. Leia a análise do cientista político Murillo de Aragão sobre o tema.

Muitas vezes nem os próprios ministros do STF parecem se entender. Um bate-boca recente entre Ricardo Lewandoski e Gilmar Mendes virou piada nas redes sociais.

10- Eduardo Cunha e a senhorinha nervosa

Em 2016, Cunha foi do estrelato à solidão de uma cela em Curitiba. Mas nenhum dos constrangimentos pelos quais passou o deputado cassado foi maior do que apanhar de uma velhinha no aeroporto.

Para você, quais foram os momentos mais constrangedores da Política Brasileira em 2016? Deixe seu comentário.