A aproximação entre o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e o chanceler José Serra (PSDB-SP), que viabilizou a recondução de Aécio à presidência nacional do PSDB, pode ser interpretado como uma aliança tática que visa não apenas o aumento da participação tucana no governo Michel Temer (PMDB), mas também um ensaio para uma possível aliança entre PSDB e PMDB visando a sucessão presidencial de 2018.

Aécio demonstrou força interna com sua continuidade como presidente do PSDB, já que teve o apoio de 19 dos 21 membros da Executiva Nacional da sigla. Além disso obteve o respaldo de 22 dos 27 diretórios estaduais.

“Expulsão branca de Alckmin”

Apesar do movimento ter contado com o apoio de Serra e também do ex-presidente FHC, houve consequências internas importantes no ninho tucano, pois o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), ficou bastante contrariado. Aliás, Alckmin chegou a definir a permanência de Aécio no comando da sigla como uma “expulsão branca” sua.

Ao contrário de Aécio, Serra e FHC, que apostam num maior estreitamento do PSDB com o PMDB, Alckmin avalia que os tucanos devem manter distância do governo Michel Temer. No entendimento do governador paulista seria um erro participar mais ativamente da gestão Temer, que caso fracasse trará grande desgaste ao PSDB.

Aliás, não é por acaso que Geraldo Alckmin é um crítico da PEC do Teto e contrário ao ingresso do PSDB em ministérios estratégicos da área econômica e também da articulação política.

Eleições 2018

Embora o PSDB negue, 2018 já está sendo jogado no ninho tucano. De um lado, Aécio e Serra veem a maior participação tucana no governo Temer como um primeiro passo para a coligação PSDB/PMDB. A coligação visaria a próxima sucessão presidencial, aliança que daria uma forte estrutura e tempo de TV. Hoje, Aécio tem mais chances de ser candidato. Porém, o nome de Serra não deve ser totalmente descartado.

Essa aliança tática entre Aécio e Serra afastou ainda mais Geraldo Alckmin da cúpula nacional do partido. Mais do que isso, aumentaram os rumores sobre a possível saída de Alckmin do PSDB. Hoje, o PSB seria o destino mais provável do governador. Porém, os socialistas possuem estrutura forte apenas em Pernambuco, fato que poderia dificultar a sustentação de um projeto presidencial.

Além da disputa pela presidência, a sucessão em São Paulo também opõe Alckmin e o comando nacional do PSDB. Alckmin quer apoiar o atual vice-governador Márcio França (PSB) ao Palácio dos Bandeirantes. Porém, os tucanos não querem abrir mão de uma candidatura própria a governador no Estado que comandam desde 1995.

Esses são os primeiros movimentos de Aécio, Serra e Alckmin visando 2018. Alckmin saiu fortalecido das eleições municipais. Porém, Aécio deu o troco e mostrou força interna ao, a partir de um acordo com Serra, se manter no comando do PSDB até maio de 2018.