O senador Aécio Neves (PSDB-MG) obteve importante vitória política na última quinta-feira, 15, ao ser reconduzido à presidência nacional do PSDB até maio de 2018. A prorrogação de seu mandato teve o respaldo de 29 dos 31 integrantes da Executiva Nacional do partido. Líder mais importante da legenda, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso apoiou a permanência do senador mineiro no posto.

A manutenção de Aécio à frente do PSDB representou uma derrota para o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), que preferia o deputado federal Silvio Torres (PSDB-SP) no lugar de Aécio, ao final da disputa inicialmente marcada para maio de 2017. Alckmin reagiu com irritação à articulação, que considerou sua “expulsão branca” do PSDB.

A recondução de Aécio ao comando tucano tem potencial para fortalecer a aliança com o governo Michel Temer (PMDB), já que o senador mineiro, FHC e o chanceler José Serra (PSDB) defendem uma participação mais efetiva do partido na atual gestão, inclusive em pastas estratégicas na coordenação política e na área econômica.

Alckmin x Aécio 2018

Geraldo Alckmin, ao contrário, critica tanto a maior participação no governo Temer quanto a PEC dos Gastos. Com a continuidade de Aécio no controle da máquina, perde força a tese defendida internamente por Alckmin de apoio mais tímido a Temer diante da necessidade de, segundo o governador paulista, o PSDB “precipitar” o debate sucessório de 2018.

Os rumores envolvendo a saída do governador do partido, caso queira disputar o Palácio do Planalto em 2018, tendem a crescer. Não por acaso o PSB, cotado como um possível destino de Alckmin, já começa a debater a possibilidade de desembarcar da base aliada do governo Temer.

Além da maioria dos votos na Executiva Nacional, Aécio Neves conseguiu o respaldo de 22 dos 27 diretórios estaduais. A articulação em seu favor teve, além de FHC, o apoio de Serra, também cotado como presidenciável para 2018.

Embora o deputado federal Ricardo Tripoli (PSDB-SP), próximo a Alckmin, tenha sido eleito novo líder da bancada federal tucana em Brasília, a permanência do senador mineiro na presidência nacional do PSDB representa um importante passo para Aécio se consolidar como candidato do partido ao Palácio do Planalto.