Mesmo faltando muito tempo para a disputa presidencial de 2018, o Datafolha realizou uma pesquisa de intenção de voto que trouxe importantes informações sobre os potenciais pré-candidatos ao Palácio do Planalto. Principais conclusões:

  1. Nas simulações de primeiro turno, o ex-presidente Lula (PT), mesmo acumulando um grande desgaste por conta das investigações que pesam contra ele no âmbito da Operação Lato-Jato, ainda lidera todas as simulações de primeiro turno. O capital político de Lula está bastante concentrado no Nordeste, onde desponta com cerca de 40% das intenções de voto. Hoje, apesar da alta rejeição (44%), o que criaria dificuldades para Lula vencer novamente uma eleição presidencial, o ex-presidente teria uma vaga praticamente assegurada no segundo turno, fato que explica o grande esforço que o PT tem feito para defender a imagem de seu grande líder.
  2. O PSDB, mesmo contando com três potenciais candidato ao Palácio do Planalto (o senador Aécio Neves, o governador Geraldo Alckmin e o chanceler José Serra), hoje correria o risco de sequer chegar ao segundo turno. Aécio, Alckmin e Serra têm praticamente a mesma densidade eleitoral, com intenção de voto que varia de 7% a 11%. Com qualquer um desses candidatos, os tucanos ficariam atrás de Lula e da ex-senadora Marina Silva (REDE) nas simulações de primeiro turno.
  3. Mesmo afastada dos holofotes, Marina Silva é a grande beneficiada do atual cenário. Hoje, ela teria grandes chances de chegar ao segundo turno e vencer a eleição. Conforme veremos abaixo, a ex-senadora venceria todos os possíveis adversários num eventual segundo turno. Além do recall das disputas presidenciais de 2010 e 2014, Marina se beneficia do sentimento antipolítica existente na opinião pública.
  4. O capital político mais baixo de Lula em relação ao que o ex-presidente tinha no passado, as dificuldades encontradas por Aécio, Alckmin e Serra, a vantagem de Marina no segundo turno e a existência de um contingente significativo (18% a 26% dependendo do cenário) localizado entre o chamado “não voto” (brancos, nulos e indecisos), indica que a polarização PT x PSDB, em vigor na política nacional desde 1994, deve se esgotar em 2018. Mais do que isso, há espaço para uma proposta nova, dissociada da política tradicional. Prova disso é a intenção de voto nada desprezível do deputado federal Jair Bolsonaro (PSC) e do juiz Sérgio Moro (Sem partido).
  5. A eventual presença de Aécio, Alckmin e Serra numa eventual disputa presidencial prejudicaria bastante o PSDB, que ampliaria o risco de ficar de fora no segundo turno. Esse cenário hipotético, com a participação de três tucanos, pulverizaria ainda mais a disputa. Nessa simulação, o maior beneficiado é Lula, que ficaria muito próximo do segundo turno.
  6. Tendo que gerenciar uma situação política e econômica bastante adversa, o atual presidente Michel Temer (PMDB) teria grandes dificuldades numa eventual disputa. Hoje, Temer teria menos de 5% das intenções de voto. Cotado como uma alternativa das forças de centro-esquerda, o mesmo ocorre com o ex-governador e ex-ministro Ciro Gomes (PDT).

Vejamos abaixo os cenários testados pelo Datafolha:

CENÁRIO 1

Lula (PT) aparece folgado na liderança. Hoje, o adversário do ex-presidente seria Marina Silva (REDE). Mesmo aplicando a margem de erro (dois pontos percentuais para mais ou para menos), Aécio Neves (PSDB) estaria atrás de Marina. Nota-se que Aécio aparece tecnicamente empatado com Jair Bolsonaro (PSC). Lula, mesmo oscilando dentro da margem de erro, apresenta uma trajetória ascendente desde abril, enquanto Marina e Aécio estão em queda. Brancos, nulos e indecisos somam 26%.

Datafolha 2018 - Cenário 1

CENÁRIO 2

Com o PSDB sendo representado pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, o cenário de segundo turno entre Lula e Marina fica ainda mais nítido (ver tabela abaixo). Interessante observar que nessa simulação há empate técnico na terceira colocação entre Alckmin, Bolsonaro, Ciro e Temer. Brancos, nulos e indecisos voltam a somar 26%.

Datafolha 2018 - Cenário 2

CENÁRIO 3

Com o chanceler José Serra sendo o candidato do PSDB, o quadro é muito parecido com o anterior. Novamente, Lula e Marina é quem se classificariam para disputar o segundo turno. Serra, Bolsonaro e Ciro estariam tecnicamente empatados se considerarmos a margem de erro. Temer, por sua vez, aparece um pouco atrás desse pelotão. Brancos, nulos e indecisos somam 26%.

Datafolha 2018 - Cenário 3

CENÁRIO 4

Tendo a participação de Aécio, Alckmin e Serra, além de Sérgio Moro e do empresário Roberto Justos, o cenário fica ainda mais pulverizado. Nesse hipotético cenário, Lula também preserva a liderança e estaria no segundo turno. Porém, ocorreria um triplo empate pelo segundo turno entre Marina, Moro e Aécio. Em terceiro lugar, Bolsonaro, Alckmin, Serra e Ciro também apareceriam empatados no limite da margem de erro. Temer e Justos estariam um pouco atrás. Brancos, nulos e indecisos contabilizaram 18%.

Datafolha 2018 - Cenário 4

Segundo turno: Marina leva vantagem sobre adversários

Apesar de Marina Silva vencer todos os potenciais adversários num eventual segundo turno e Lula aparecer numericamente à frente de qualquer uma das opções do PSDB (Aécio Neves, Geraldo Alckmin e José Serra), apesar de estarem numericamente empatados, o quadro de 2018 está em aberto. Prova disso é o alto percentual de brancos, nulos e indecisos, que varia de 23% a 28%, dependendo do cenário. Ou seja, praticamente 1/3 do eleitorado nacional.

2o

Datafolha 2018 segundo turno

Hoje, Lula e Marina se beneficiam do recall que possuem. Lula foi presidente durante oito anos e é um personagem atuante na política nacional desde 1989. Marina foi candidata a presidente nas últimas duas eleições. Em relação as opções do PSDB (Aécio, Alckmin e Serra), nota-se que os três têm praticamente a mesma densidade eleitoral, fato que coloca as três opções no jogo para 2018.

A vantagem de Marina Silva nas simulações de segundo turno, somado ao elevado percentual do chamado “não voto” (brancos, nulos e indecisos), sugere que há um espaço disponível não apenas para a quebra da polarização entre petistas e tucanos, mas também para o surgimento de novidade (s).