O governo de Michel Temer concluiu, dentro do cronograma previsto, a votação da PEC dos Gastos. O placar do 1º turno (61 X 14) foi inferior ao do segundo (53 X 16). Oito votos de diferença se deveram principalmente às ausências. Apenas um senador mudou de voto – Dario Berger (PMDB-SC). Esteve ao lado do governo na primeira votação, mas hoje decidiu votar contra.

As ausências aumentaram de cinco para 11 senadores. Algumas importantes, como a senadora Rose de Freitas (PMDB-ES), Jader Barbalho (PMDB-PA) e Fernando Collor (PTC-AL). Uma das explicações é que a votação aconteceu no meio da manhã, justamente quando os senadores estão chegando em Brasília. O primeiro turno aconteceu à noite, com casa cheia.

A queda do placar tem relação com o agravamento da crise política. Não que os ausentes estejam dispostos a migrar para a oposição, mas envolvidos em outras agendas durante o processo de votação.

Reforma da Previdência

A votação da Reforma da Previdência, mais polêmica, exigirá muito mais do governo. No mínimo, a garantia de um quórum superior aos 70 senadores que estavam em plenário hoje. A votação terá que ter presença de todos os senadores aliados.

É relevante que o governo mantenha uma alta taxa de sucesso na votação de matéria com elevada dose de crítica. Isso aconteceu apesar da ausência de coordenação política, divulgação de uma pesquisa altamente negativa e propagação massiva da mais tóxicas das delações da Lava-Jato até agora.

Temer mostrou que ainda conserva elevado potencial de articulação, e que sua maior vulnerabilidade permanece a falta de reação da economia. O mínimo que conseguir nesse campo contribuirá para mantê-lo no controle da situação.