A histórica vitória de Nelson Marchezan Junior (PSDB) na eleição para prefeitura de Porto Alegre (RS) passou por seu correto posicionamento no tabuleiro da disputa e também por uma acertada estratégia de comunicação.

Enfrentando um candidato que representava uma gestão de 12 anos (Sebastião Melo-PMDB) e tendo adversários à esquerda no primeiro turno (Raul Pont-PT e Luciana Genro-PSOL), Marchezan corretamente se postou como novidade, estratégia sintetizada no slogan (Uma nova atitude para um novo tempo).

Dentro da tática adotada também esteve presente um “convite” a reflexão se Porto Alegre queria repetir o presente (referência as gestões de Fortunati/Fogaça), repetir o passado (referência aos 16 anos do PT na capital gaúcha) ou iniciar um novo tempo (bandeira defendida por Marchezan).

Com isso, Marchezan se diferenciou de Melo, Pont e Luciana. Durante o primeiro turno, Mauricio Dziedricki (PTB) também tentou se apropriar da bandeira do novo. Não foi por acaso que utilizou o slogan “Novas ideias para um novo início”. Porém, como demorou para acertar sua estratégia de campanha, não conseguiu tirar o espaço que foi ocupado por Nelson Marchezan Junior desde o início da campanha.

Outro vetor da estratégia de Marchezan foram as críticas ao sistema político tradicional, reconhecendo que atualmente está difícil acreditar na política e nos políticos.

Ou seja, além do posicionamento como novidade e abraçando a bandeira da mudança, a partir do início do segundo turno, conseguiu corretamente se conectar com o sentimento de insatisfação com a política tradicional e, através de uma mensagem de confiança e esperança, ganhar a simpatia da opinião pública porto-alegrense.

Na minha opinião, a campanha de Marchezan foi uma das mais bem concebidas em todo país nessas eleições municipais e, certamente, ficará na história como um case de sucesso.