A semana começou com as denúncias sobre Moreira Franco publicadas no fim de semana. Depois, surgiram rumores de que Lula poderia ser preso.

Em seguida, apareceu a notícia de que a mulher de Eduardo Cunha, Claudia Cruz, fora convocada a depor pelo juiz Sergio Moro. Será no dia 14 de novembro.

Agora, por mais que a prisão do ex-todo-poderoso deputado pudesse ser esperada, sua concretização abala fortemente a moral do mundo político em Brasília.

Quais as consequências?

A mais importante é: a temperatura da Operação-Lava Jato volta a subir e a amedrontar políticos com e sem mandato.

A expectativa da delação de Marcelo Odebrecht, por si só, já causava calafrios na capital federal. Com a prisão de Cunha, uma nova agonia se instala. Ele fará ou não delação? Com denúncias contundentes, mesmo sem provas cabais? Seu livro vai ser publicado?

O certo é que o risco de delação de Cunha aumentou depois que o juiz Sérgio Moro decretou sua prisão.

A variante Cunha na Operação-Lava Jato promete muitos desdobramentos que serão incômodos para o governo.

Nada a fazer. A Lava-Jato incorporou-se à rotina institucional do país e não vai terminar tão cedo.

A prisão de Cunha dá uma micronarrativa para Dilma e seus companheiros, já que o novo detento comandou o processo de impeachment. Também atrapalha a narrativa petista de que Moro e companhia tinham obsessão com nomes ligados ao Partido dos Trabalhadores, e que a Lava-Jato perderia força com Temer na Presidência.

No curtíssimo prazo, não há impacto para a votação do 2º turno da PEC dos Gastos na Câmara, marcada para a próxima semana. Ainda é cedo para avaliar o impacto na Reforma da Previdência.

Quando Cunha foi cassado, já era esperado por parte de seus ex-aliados que o próximo lance seria a prisão. Portanto, o episódio, por si, não põe em risco a coesão da base. O impacto dependerá do conteúdo de sua eventual delação, das pessoas citadas e dos fatos novos trazidos por ele.