Marcelo Crivella (PRB) ampliou de 17 para 23 pontos percentuais a vantagem sobre Marcelo Freixo (PSOL). Brancos, nulos e indecisos, que eram 28% na pesquisa anterior, agora somam 27%. Pelos números da sondagem podemos constatar uma dificuldade de Freixo em atrair eleitores de centro, pois o índice do candidato do PSOL é muito próximo do 1/3 que historicamente vota com a esquerda.

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Considerando somente os votos válidos, Crivella supera Freixo por 66% a 34%. No levantamento anterior, o candidato do PRB vencia o representante do PSOL por 62% a 38%. Ou seja, a vantagem de Crivella sobre Freixo subiu de 28 para 32 pontos.

A dificuldade de Marcelo Freixo em caminhar em direção ao centro pode ser constatada quando observamos as migrações dos eleitores que votaram em candidatos derrotados no primeiro turno. Com a exceção dos eleitores de Jandira Feghali (PCdoB), que em sua maioria vão para Freixo no segundo turno, os votos dados a Flávio Bolsonaro (PSC), Índio da Costa (PSD), Carlos Osório (PSDB) e Pedro Paulo (PMDB) migram para Crivella ou em direção aos brancos, nulos e indecisos.

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A consistência da vantagem de Marcelo Crivella sobre Marcelo Freixo pode ser constatada quando observamos a divisão do voto segundo a renda do eleitorado. Crivella supera Freixo em todas as faixas (52% a 22% entre os eleitores com renda familiar até 2 salários mínimos; 51% a 24% na faixa de mais de 2 a 5 salários; 38% a 33% no segmento com renda mensal de mais de 5 a 10 salários mínimos; e 39% a 30% junto aos eleitores que ganham acima de 10 salários).

Sem um surgimento de um fato novo nas próximas semanas, é pouco provável que Freixo tenha fôlego para superar Crivella e reverter o favoritismo do candidato do PRB. Embora o candidato do PSOL tenha realizado sinalizações em direção ao eleitorado de centro nesse segundo turno, sua posição do passado em temas polêmicos como liberdade sexual, legalização das drogas, etc tem criado obstáculos para Freixo conquistar o eleitorado centrista.

Crivella, por sua vez, tem um tarefa menos complicada na conquista do eleitor de centro, pois suas posições polêmicas estão mais concentradas na questão religiosa. Como a maior parte do eleitorado tem uma posição conservadora em assuntos morais como sexo e drogas, as dificuldades para Freixo tem se tornado maiores.

Na última semana, Freixo passou a utilizar a campanha negativa contra Crivella abordando sua aliança com o ex-governador Anthony Garotinho (PR). Essa nova estratégia de Freixo ainda não foi captada por essa pesquisa do Datafolha.

Além da questão Garotinho, outro tema desafia Crivella. Matéria de capa do jornal O Globo do último domingo (16), revelou que em seu livro “Evangelizando a África”, em que fez um relato dos dez anos em que morou no continente africano, o candidato do PRB fez pesadas críticas a praticamente todas as religiões, além de classificar a homossexualidade de “conduta maligna” e “terrível mal”.

O conteúdo do livro escrito por Marcelo Crivella traz mais perigos para o representante do PRB que a associação com Garotinho, pois representa uma contradição com o discurso tolerante e ecumênico empregado por Crivella durante a campanha eleitoral deste ano.

Portanto, as próximas sondagens medirão o impacto desses ataques na candidatura Crivella. Caso os fatos descritos anteriormente não produzam nenhum efeito, a possibilidade de Freixo desmanchar o favoritismo de Crivella ficará ainda mais reduzida.