As eleições municipais deste ano mostraram uma perda do protagonismo do PT entre os partidos de esquerda. Antes majoritário, os petistas agora contam com apenas 256 prefeitos em todo o país, número inferior ao registrado por PSB (413) e PDT (334), por exemplo. O PCdoB elegeu 80 e o PSOL, dois.

Não bastasse isso, o PT vê o crescimento do PSOL nas capitais. O partido elegeu apenas Marcus Alexandre (Rio Branco) em primeiro turno. E está no segundo turno apenas em Recife, com João Paulo, enquanto o PSOL disputa no Rio de Janeiro (Marcelo Freixo) e Belém (Edmilson Rodrigues).

A perda de importância do PT entre as forças de esquerda está incentivando PDT, PCdoB e PSOL, por exemplo, a lançarem candidaturas próprias.

Devido à crise que enfrenta, o PT corre o risco de um racha. Líderes históricos como os ex-governadores do Rio Grande do Sul (RS) Olívio Dutra e Tarso Genro têm feito fortes críticas ao comando nacional do partido.

A corrente Democracia Socialista (DS), que integra a chamada Mensagem ao Partido, de oposição à corrente Construindo um Novo Brasil (CNB), divulgou uma resolução acusando a direção petista de ter se associado a “práticas corruptas”.

Candidatos para 2018

Além do debate interno no PT estar bastante tensionado e o ex-presidente Lula correr o risco de ficar fora da disputa em 2018, nomes alternativos, como o do governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), e o do ex-governador da Bahia e ex-ministro Jaques Wagner (PT), também podem se inviabilizar para concorrer à Presidência.

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), que também aparecia como opção, perdeu pontos após a derrota já no primeiro turno das eleições deste ano. E o ex-ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, carrega desgastes após ter defendido a ex-presidente Dilma Rousseff durante o processo de impeachment.

Diante do enfraquecimento do PT, uma possibilidade cogitada é o apoio dos petistas ao ex-governador e ex-ministro Ciro Gomes (PDT).

Também vale destacar que o PSB, antes aliado das forças de esquerda, vem se reposicionando desde 2014 e hoje integra a base do governo Michel Temer (PMDB).

Mesmo que a tese da Frente de Esquerda, defendida por líderes esquerdistas como Tarso Genro, apareça como alternativa, ela é pouco viável diante da falta de consenso entre os partidos de esquerda sobre a linha de atuação a seguir.