Marcelo Freixo (PSOL), que se manteve estável praticamente durante todo primeiro turno, e cresceu na reta final da campanha, chegou ao segundo turno para enfrentar Marcelo Crivella (PRB) no Rio de Janeiro.

Freixo se garantiu no segundo turno superando Pedro Paulo (PMDB) por uma pequena vantagem: 2,14 pontos percentuais. O candidato do PSOL acabou se beneficiando do voto útil de esquerda, já que parte do eleitorado de Jandira Feghali (PCdoB) migrou para Freixo. Também foi ajudado pela fragmentação do voto de centro-direta. O crescimento de Flávio Bolsonaro (PSC), Índio da Costa (PSD) e Carlos Osório (PSDB) acabou tirando votos de Pedro Paulo.

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Derrota do PMDB

A derrota de Pedro Paulo no primeiro turno representa um importante revés para o atual prefeito Eduardo Paes (PMDB), que sonhava em fazer seu sucessor e, quem sabe, até se posicionar como um pré-candidato ao Palácio do Planalto.

Além dos erros cometidos pela campanha do PMDB, como explorar a imagem de Paes apenas na reta final do primeiro turno, Pedro Paulo foi prejudicado pelo episódio envolvendo a agressão contra sua ex-mulher. Embora esse fato tenha ocorrido antes da campanha, foi um assunto recorrente durante o primeiro turno. Também pesou contra Pedro Paulo o desgaste do PMDB no Estado após muitos anos no poder (os peemedebistas comandam o governo do Rio desde 2007 e a prefeitura da capital há oito anos).

O voto dos derrotados

A incógnita do segundo turno no Rio é saber qual será o posicionamento dos eleitores que votaram nos candidatos derrotados no primeiro turno. Embora Jandira Feghali e Alessandro Molon tenham confirmado ontem que estarão com Marcelo Freixo no segundo turno, apenas o voto de centro-esquerda será insuficiente para dar a vitória a Freixo.

No primeiro turno, a diferença de Crivella para Freixo foi de 9,52 pontos percentuais. Como o eleitorado de Jandira e Molon contabilizou 4,77% dos votos válidos, Freixo precisará dos votos de centro-direita para superar seu oponente, pois o voto de esquerda somou apenas 23,03% no primeiro turno.

Os votos de Pedro Paulo (16,12%), Flávio Bolsonaro (14,00%), Índio da Costa (8,99%) e Carlos Osório (8,62%) totalizam 47,73%. Ideologicamente, essa parcela do eleitorado, de centro-direita, está mais próxima de Crivella. Porém, nada garante que esses votos migrarão automaticamente para o candidato do PRB.

Tempo igual na TV

No segundo turno, Marcelo Freixo terá a seu favor o fato do tempo de TV ser distribuído igualmente entre os candidatos. Vale recordar que no primeiro turno, Freixo praticamente não teve tempo de TV (apenas 11 segundos), sustentando sua candidatura através da chamada campanha de rua e via redes sociais.

A igualdade do tempo de TV é um fator importante para Freixo tentar seduzir essa enorme parcela do eleitorado que votou nos candidatos de centro-direita no primeiro turno, e também os eleitores brancos, nulos e aqueles que se abstiveram no último domingo: 42,54% do eleitorado.

Com tantas variáveis em aberto, o segundo turno no Rio deve ser bastante equilibrado. Guardadas as devidas proporções, tende a ser uma disputa parecida com 2008, quando o hoje prefeito Eduardo Paes (PMDB) derrotou Fernando Gabeira (PV) por por uma diferença de apenas 1,66 pontos percentuais.

Crivella e Freixo terão um desafio similar no segundo turno: caminhar em direção ao centro e conquistar esses eleitores.

Crivella é mais identificado com o pensamento conservador, ligado aos evangélicos, que possuem uma forte base social nas periferias do Rio. Em eleições passadas, essa ligação com os evangélicos, mais especificamente com a Igreja Universal e o Bispo Edir Macedo, acabou derrotando o candidato do PRB.

Já Freixo também possui o desafio de conquistar o centro político. Identificado com o pensamento de esquerda e os defensores dos direitos humanos, o candidato do PSOL precisa desfazer a imagem de radicalismo que pesa contra seu partido.

Nesse imprevisível embate, quem conseguir moderar o discurso e conquistar os eleitores de dentro deve vencer o segundo turno.