João Doria Júnior (PSDB) manteve sua extraordinária trajetória de crescimento registrada pelas pesquisas durante todo primeiro turno e elegeu-se prefeito de São Paulo (SP). A vitória de Doria é uma surpresa, pois todas as disputas eleitorais na capital paulista desde 1992 foram decididas em dois turnos.

Doria foi beneficiado por uma estratégia de campanha muito eficiente, que surfou na onda da “anti-política”. Utilizando sua trajetória profissional de empresário bem sucedido, o agora prefeito eleito se descolou do sistema político afirmando durante a campanha que “Não é político. É gestor, um administrador”.

Outro ponto importante da estratégia de Doria foi a desconstrução da imagem de candidato elitista. O tucano firmou como eficiência a mensagem que lutou muito para crescer na vida e lançou mão do slogan “João trabalhador”, que acabou colando.

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Outra questão que ajudou João Doria Júnior foi a fragmentação do eleitorado de centro-esquerda paulistano entre Fernando Haddad (PT), Marta Suplicy (PMDB) e Luiza Erundina (PSOL).

Nota-se que a votação de Haddad, Marta e Erundina somou 30,02 pontos percentuais, idêntico aos 30% que historicamente se alinham mais à esquerda. Como Doria conseguiu crescer nas periferias de São Paulo, a desconstrução de Celso Russomanno (PRB), que começou a disputa com mais de 30% das intenções de voto e obteve pouco mais de 13% na urna, também favoreceu a vitória do representante do PSDB no primeiro turno.

Nos últimos dias, podemos observar um voto útil de esquerda em direção a Haddad. Porém, nos últimos dois dias de campanha, ocorreu igualmente um voto útil de centro-direita em favor de Doria.

Sem dúvida, o grande vitorioso da disputa em São Paulo é o governador Geraldo Alckmin (PSDB), que bancou internamente o nome de Doria contra os principais expoentes do partido. Vale recordar que nomes como o ex-presidente FHC, o chanceler José Serra, os senadores Aloysio Nunes Ferreira e José Aníbal, e o ex-governador Alberto Goldman estiveram nas prévias tucanas ao lado do vereador Andrea Matarazzo, que depois trocou o PSDB pelo PSD para ser o candidato a vice-prefeito na chapa encabeçada pela senadora Marta Suplicy.

Além de fortalecer seu nome na bolsa de apostas como pré-candidato ao Palácio do Planalto nas eleições de 2018, Alckmin ganha a primazia para definir quem será o candidato a sua sucessão no Palácio dos Bandeirantes.

Marta Suplicy ao lado de Celso Russomanno foram os dois grandes perdedores da eleição paulistana. Marta tentou se reposicionar no tabuleiro com objetivo de atrair votos do eleitorado que a rejeitava quando era filiada ao PT. Acabou não seduzindo os segmentos mais conservadores e perdeu parte de sua base eleitoral, que enxergou esse reposicionamento de imagem como contradição.

Russomanno, assim como ocorreu em 2012, largou na liderança e desmanchou durante a campanha. Dificilmente terá força política para uma nova candidatura a prefeito em 2020.

O PT também sofreu uma significativa derrota em São Paulo. Pela primeira vez desde 1992 os petistas acabaram derrotados já no primeiro turno. O prêmio de consolo foi Fernando Haddad ter acabado a eleição na frente de Marta, o que posiciona o PT como protagonista da oposição ao futuro prefeito.