A vitória de Rodrigo Maia (DEM-RJ) sobre Rogério Rosso (PSD-DF) na eleição para a presidência da Câmara, somada à cassação do ex-deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ), enfraqueceu o chamado Centrão. O grupo reúne PP, PR, PSD, PRB, PTB, SD, PEN, PTN e PHS, contemplando em torno de 200 parlamentares.

Com a perda do comando da Câmara, que permitia o controle da pauta legislativa da Casa, e a exclusão de seu líder unificador (Eduardo Cunha) no jogo de poder, a tendência é que esse grupo se fragmente, ainda que hoje seja numericamente expressivo.

Mesmo que integrantes do Centrão tenham vazado para os meios de comunicação o desejo de uma aliança com o PT, o PCdoB e o PDT, visando à presidência da Câmara em 2017, é pouco provável que esse movimento ganhe força.

O Centrão teve suas demandas pouco atendidas durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff. Fato que levou à unificação desse grupo em torno da eleição de Eduardo Cunha para a presidência da Câmara, em 2015, e seu posterior apoio ao impeachment de Dilma.

Centrão adere à Temer

Fragmentado, o Centrão deve aderir de forma cada vez mais efetiva ao governo Michel Temer. Prova disso ocorreu na semana passada, quando seus líderes foram recebidos por Temer no Palácio do Planalto.

Eles explicaram ao presidente da República sua aproximação com a oposição e divulgaram uma carta em que se comprometem a apoiar as reformas que o governo pretende aprovar no Congresso.

Porém, esse apoio ao governo não será automático. É algo que precisará ser negociado caso a caso, sobretudo nas votações mais polêmicas, como a PEC dos Gastos e as reformas previdenciária e trabalhista.

Aliança necessária

Governo e Centrão necessitam um do outro. O governo precisa desse grupo para aprovar as reformas. O Centrão necessita de um bom relacionamento com o Planalto para ter acesso a cargos, emendas e poder de decisão.

A sinalização de uma eventual aliança com o PT na sucessão na Câmara representa, por ora, mais um movimento para enviar recados ao Planalto buscando atenção para as demandas do Centrão do que um desejo em se afastar do governo Temer.

Essa tentativa de barganha representa uma ação estratégica para o Centrão não perder relevância dentro da coalizão governista. Diante de sua possível fragmentação, o grupo buscará não perder mais espaços ainda para PMDB e PSDB/DEM/PPS.