Observando o cenário das eleições 2016 nas sete maiores capitais do país (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Porto Alegre, Recife e Fortaleza), nota-se uma divisão entre continuidade e mudança. Em quatro capitais (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Fortaleza) poderá prevalecer o desejo mudancista, mesmo contra gestões bem avaliadas. Em outras três (Recife, Porto Alegre e Salvador), há uma clima favorável à continuidade.

Embora haja um ambiente favorável à renovação das lideranças políticas nas capitais, a chamada antipolítica aparece como força um pouco menor que o esperado. Apesar de nomes como os de João Doria Júnior (PSDB), Celso Russomanno (PRB), Marcelo Crivella (PRB), Marcelo Freixo (PSOL), Alexandre Kalil (PHS), Capitão Wagner (PR) e Luciana Genro (PSOL) sejam vistos como dissociados da política clássica, são também alternativas “fora do sistema” com o apoio de líderes políticos tradicionais.

A seguir, o cenário nas principais capitais:

São Paulo

Pela primeira vez desde 1992, o PT deve ficar fora do segundo turno. Desgastado, o prefeito Fernando Haddad (PT) vê Celso Russomanno (PRB), Marta Suplicy (PMDB) e João Doria Júnior (PSDB) duelarem por duas vagas no segundo turno.

Rio de Janeiro

Marcelo Crivella (PRB) tem ampla vantagem sobre seus rivais e está praticamente garantido no segundo turno. Candidato do bem avaliado prefeito Eduardo Paes (PMDB), Pedro Paulo (PMDB) patina nas pesquisas e corre o risco de não chegar ao segundo turno, já que está tecnicamente empatado com Marcelo Freixo (PSOL), Jandira Feghali (PCdoB), Flávio Bolsonaro (PSC) e Índio da Costa (PSD) na segunda colocação.

Belo Horizonte

João Leite (PSDB), candidato do senador Aécio Neves (PSDB-MG), desponta como favorito e deve disputar o segundo turno contra Alexandre Kalil (PHS). O candidato do bem avaliado prefeito Márcio Lacerda (PSB), Délio Malheiros (PSD), atual vice-prefeito, está mal posicionado nas pesquisas, assim como os candidatos do PT (Reginaldo Lopes) e do PMDB (Rodrigo Pacheco).

Recife

O atual prefeito, Geraldo Júlio (PSB), deve ir para o segundo turno contra o ex-prefeito João Paulo (PT). Bem avaliado, o candidato socialista é o favorito. Daniel Coelho (PSDB) ainda sonha surpreender, mas está bem atrás nas pesquisas.

Fortaleza

Com uma gestão bem avaliada, o prefeito Roberto Cláudio (PDT) estará no segundo turno. Porém, enfrentará uma disputa difícil, já que o deputado estadual Capitão Wagner (PR) registra forte crescimento nas pesquisas e está tecnicamente empatado com o atual prefeito por conta da onda de violência que atinge a cidade. Luizianne Lins (PT) e Heitor Férrer (PDT) estão estagnados e não devem ter força para surpreender.

Porto Alegre

A disputa está indefinida. Após largar atrás nas pesquisas, o atual vice-prefeito, Sebastião Melo (PMDB), candidato da gestão José Fortunati (PDT), cresceu e está em primeiro turno. Luciana Genro (PSOL), até então na liderança, está em queda e aparece agora tecnicamente empatada com Melo, Raul Pont (PT) e Nelson Marchezan Júnior (PSDB). Disputa em aberto na capital gaúcha com tendência de segundo turno entre Luciana ou Pont contra Melo ou Marchezan.

Salvador

O prefeito mais bem avaliado do país, ACM Neto (DEM), candidato à reeleição, deve se reeleger facilmente em primeiro turno. Sua principal adversária, a deputada federal Alice Portugal (PCdoB), apoiada pelo PT, não consegue reverter a elevada vantagem de Neto.