Apesar de seu empenho na aprovação da PEC dos Gastos, o governo deverá enfrentar uma dura resistência no Congresso e na sociedade. Considerada um remédio excessivamente forte, o estabelecimento de um teto para os gastos une numerosos e poderosos grupos contra ele: parlamentares que temem a impopularidade, a nova oposição comandada pelo PT e seu aliados e defensores de aumento real de gastos para saúde e educação.

Atento a esses movimentos, o Planalto já tomou algumas providências. Desidratou a pauta legislativa, concentra toda a sua energia política na PEC dos Gastos e tem se reunido com as bancadas que integram a base governista para uma cruzada de pregação do combate ao déficit fiscal. Na sexta-feira, representantes do Centrão assinaram documento comprometendo-se com as medidas econômicas que tramitam no Congresso.

PEC dos Gastos pode ser votada em outubro

Os adversários do teto de gastos, no entanto, argumentam que se trata de algo altamente corrosivo, capaz de engessar a capacidade de investimentos e de financiamento de serviços básicos que a população reclama sistematicamente.

Além disso, há a forte pressão dos governadores, que iniciaram um movimento pedindo recursos suplementares para enfrentar a situação calamitosa que alegam enfrentar. A exemplo do aconteceu com Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Minas Gerais, outros estados dizem não ter condições de pagar fornecedores, dívidas e funcionários sem o socorro de Brasília.