Defendido com unhas e dentes pelos senadores da tropa de choque da presidente Dilma no julgamento do impeachment (Lindbergh, Vanessa, Gleisi Hoffmann e Maria do Carmo), o Plano Safra 2015/16 – que provocou estouro nas metas fiscais, as pedaladas, com gastos não aprovados pelo Congresso – deu um tremendo chabu, segundo os dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgados na semana passada (6).

No 12º e último levantamento da safra 2015/16, a Conab confirmou que, apesar do crescimento de 0,7% na área plantada em relação à safra 2014/15, com 58,3 milhões de ha, sendo de 3,6% a expansão da área da soja e de 10,3% a da 2ª safra do milho. A produção total de grãos foi abatida pela estiagem de abril e maio, pelas recentes geadas no Paraná e Sudeste e terá uma redução de 10,3% frente à safra 2014/15. Como num filme velho, com a perda da produção, muitos agricultores podem vir a pedir moratória das dívidas.

No ano agrícola 2014/15, o Plano-Safra destinou R$ 168,6 bilhões ao agronegócio, que respondeu com a produção de 205,5 milhões de toneladas de grãos. Animado, o governo Dilma aumentou os recursos para 2015/16 até R$ 184,5 bilhões. O país gastou mais 9,6% em dinheiro, mas vai colher só 186,4 milhões de toneladas, ou 10,3% a menos que na safra anterior. Em relação à previsão inicial da colheita (212 milhões de t) o tombo chega a 12%.

As maiores quebras foram nos alimentos básicos dos brasileiros, fator que pressiona uma alta de 13,92% nos alimentos nos 12 meses encerrados em agosto, no IPCA – 8,97% na mesma base. O arroz teve perda de 14,8% e o feijão, de 21,6%. A soja sofreu queda de só 0,8%, mas a do milho (que serve de alimento a humanos e às rações animais) chegou a 14,1% na 1ª safra e a 24,7% na 2ª safra, plantada após a colheita da soja ou do algodão (que perdeu 17,5%).

O relatório semestral do Banco do Brasil, ao decompor o Plano-Safra 2015/16, mostra que a maior parte dos créditos do BB se destinou a grandes e médios produtores. Dos R$ 82,4 bilhões aplicados em custeio, apenas 16,4% foram para o Pronaf (agricultura familiar de pequenos produtores), 16,9% foram para os médios produtores e 66,3%, ou R$ 54,6 bilhões, beneficiaram a agricultura empresarial.

Mesmo na escolha das prioridades de novas linhas de crédito, o crescimento do Pronaf foi de apenas 7,5%, contra 13,9% no Pronamp (Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor) e aumento de 6% nas linhas de apoio ao Programa de Agricultura de Baixo Carbono (Programa ABC). Se houver choro de moratória, será de grandes e não de pequenos produtores.

A decomposição dos créditos da carteira de crédito rural do BB, em junho, mostra a concentração dos créditos nos grandes produtores (subsidiados pelo Tesouro Nacional como as linhas de crédito do BNDES que privilegiaram grandes empresários).

A maior fatia do dinheiro (19,3%) ia para os produtores agropecuários (carne 12,5% e leite, 6,8%), enquanto a 2ª maior fatia dos créditos (12,2%) era para financiamento de máquinas e equipamentos (para agricultores de médio e grande porte e empresas agropecuárias). A soja, lavoura de grandes produtores, recebeu 9,3% dos recursos. O produtor de milho ficou com 4,4%.