Em sua primeira reunião ministerial após ser confirmado presidente, Michel Temer mandou importantes mensagens. Em especial, para o público interno: governo e base política.

Base política

Pediu apoio incondicional da base política às propostas do governo. Ficou claro que ser da base governista implica bônus na participação do governo e ônus no apoio às políticas impopulares.

Temer se dispôs a dialogar com a base para avançar com a sua agenda e a aceitar mudanças que não firam o espírito das propostas. Agradeceu o apoio da base na aprovação de medidas provisórias de interesse do governo e no avanço do acordo da dívida dos estados na Câmara dos Deputados.

A mensagem é claramente destinada a enquadrar a base na agenda governamental. Obviamente, não será fácil. Mas há muito não se vê um presidente pessoalmente envolvido na aprovação de sua agenda no Congresso. A aspereza da mensagem causou resmungos e amuos que não deverão ter consequências se as negociações políticas forem eficientes.

Descentralização e unidade de comando

Deixou claro que centraliza a orientação mas espera uma ação descentralizada de seu ministério. Ou seja, não abre mão do comando ideológico do governo, mas estimulará a descentralização das ações.

O que Temer espera é que o governo seja realizador dentro do que se propõe, mas sem a concentração do processo nas mãos do presidente.

Reforma ministerial

Disse que a ação ministerial durante a interinidade foi eficiente e por isso ele e o ministério foram confirmados, o que resultou na efetivação de todos. Tal afirmação sugere que ele, no momento, não deve fazer mudanças em seu gabinete.

Desburocratização

Pediu que todos os ministérios, a exemplo da pasta da Agricultura, apresentem medidas tendo em vista reduzir a burocracia interna, facilitar a prestação do serviço público e realizar investimentos. Deu outro exemplo, porém no âmbito do Ministério do Trabalho, que prepara um conjunto de medidas para diminuir a burocracia nas relações entre empregador e trabalhador.

Teto de gastos

Deixou claro para o ministério e para a base política que a aprovação da emenda constitucional de Teto de Gastos (que limitará por 20 anos o crescimento dos gastos públicos) é a sua prioridade. Para tal, se envolverá pessoalmente no diálogo com os deputados e senadores, a fim de aprovar a proposta.

Reforma Previdenciária

Disse que vai buscar a compreensão da sociedade brasileira sobre o tema e que não fará uma reforma de cima para baixo.

Legislação trabalhista

Comentou que não vai falar mais de Reforma Trabalhista, e sim de modernização nas relações entre empregador e trabalhador. A proposta, que já tramita na Câmara, pretende dar valor legal aos acordos entre empresas e trabalhadores acima da legislação. O que, na prática, pode significar uma revolução nas relações trabalhistas no Brasil.

Atitude

Foi enfático: rejeitará qualquer insinuação de golpe e revidará afirmando que golpista é quem afirma que houve golpe. Com tal decisão, estimula o seu governo a reagir a qualquer tentativa de desestabilização institucional. Pediu que os ministros se comuniquem mais e melhor, destacando as realizações do governo.

Relações exteriores

Destacou sua ida à reunião do G-20 como um reingresso do Brasil na elite das relações internacionais, em razão dos pedidos no evento de reuniões bilaterais (Espanha, Japão, Itália, Arábia Saudita e, possivelmente, Estados Unidos). Temer deverá fazer outras visitas ao exterior este ano. Já estão previstas viagens para Argentina, ONU (New York), Colômbia e Índia.