De modo geral, as eleições 2016 municipais são concentradas em temas locais. Este ano, a agenda da disputa será um pouco diferente. Obviamente, os temas locais ocuparão um espaço importante no debate político. Porém, o impeachment de Dilma Rousseff e o desgaste pelo qual o PT passa no cenário nacional tendem a nacionalizar as disputas municipais. Há a crise econômica, a inflação e o desemprego, além da crise ética, que atinge os principais partidos políticos, contribuindo para o surgimento de um sentimento antipolítico.

Como consequência do fim do financiamento empresarial, cresceu a influência da máquina nas disputas. Prova disso são as amplas coligações que sustentam os candidatos à reeleição ou os nomes apoiados pelos prefeitos que não disputarão um novo mandato.

Assim, para quem enfrenta os candidatos da continuidade e conta com alianças minoritárias, o que se traduz em um tempo de TV bastante reduzido, os desafios não são pequenos.

Como alguns candidatos têm menos de um minuto de tempo de TV, mesmo que estejam em vantagem nas pesquisas precisarão investir no contato direto com os eleitores nas ruas e na comunicação via redes sociais.

Isso significa que os candidatos em desvantagem nas pesquisas terão pouca margem para cometer erros durante a campanha, pois, além da escassez de recursos, a duração do período eleitoral será menor, o que exigirá uma precisão maior na mensagem.

Apesar de todos esses desafios para quem larga em desvantagem, os candidatos com maiores coligações, tempo de TV e controle da máquina não terão, necessariamente, uma campanha fácil pela frente.

Como esta eleição municipal é marcada por uma conjuntura de rejeição à política tradicional, o comportamento do eleitorado é uma incógnita, o que torna a disputa ainda mais imprevisível.