Para Murillo de Aragão, o risco maior do governo Temer está nos efeitos colaterais da Operação Lava-Jato, ainda assim 2017 será um ano melhor. Veja a entrevista:

Em sua opinião, qual é a probabilidade de Temer ser bem-sucedido?
Acredito que Michel Temer tem chances consistentes, acima 60%, de ser bem sucedido. Os desafios estão bem claros, sobretudo, em manter o apoio da base política. Ninguém melhor do que ele para lidar com tais desafios. Além do mais, o governo é grande demais e pode atrair imenso apoio se souber negociar de forma eficiente. A melhoria das expectativas econômicas, que já está ocorrendo, também vai ajudar. O que me preocupa são os efeitos colaterais da Operação Lava-Jato. Sem essa preocupação, as chances de sucesso eram acima de 80%. O fato é que Temer terá que lutar dia-a-dia para melhorar suas chances. É um belo desafio para que tem a experiência dele.

O primeiro grande teste de Temer será a aprovação da PEC do teto de gastos. A proposta vai melhorar o quadro fiscal do país?
Evidente que o texto final terá concessões. O Congresso é uma assembleia de interesses e não cabe ao Poder Executivo impor uma decisão sem negociar. Vai ser um debate duro e que vai testar no limite o poder do governo. Acredito que, no final das contas, a PEC dos Gastos vai ser aprovada e trará substancial melhora no cenário fiscal do país. Isso, pelo fato de que os deputados e senadores sabem que o governo está quebrado e é necessário recuperar a capacidade de gastos para voltar a fazer políticas públicas.

Henrique Meirelles disse que a economia irá crescerá 1,6%. Você concorda com essa premissa?
Bom, acho que é um pouco otimista a previsão de crescimento. Acredito que o ano que vem será muito melhor do que este ano. Teremos crescimento. Aliás, já estamos iniciando uma discreta recuperação. Com um marco de investimentos de melhor qualidade e mudanças na lei do pré-sal, menos burocracia no agribusiness, uma discreta redução na taxa de juros, entre outras iniciativas, 2017 será muito melhor.

Os investidores estrangeiros ainda estão interessados no Brasil?
O interesse no Brasil continua muito grande e intenso. Tenho recebido muitas consultas de investidores estrangeiros, diretos e de mercado de capital, interessados em investir no Brasil. Sinto o mesmo interesse em contato com o círculo diplomático de Brasília. O mercado financeiro é mais cauteloso porque deseja ver as reformas em andamento. Porém, dou alguns exemplos: existem investidores estrangeiros dispostos a colocar bilhões de dólares para recuperar a Oi. Os chineses compraram ações da CPFL em um negócio bilionário. Outros virão. Temos um novo país.

Qual é o cenário realista para a economia com Temer?
É um cenário radicalmente melhor do que com Dilma. Provavelmente, o crescimento será pouco acima de 1% do PIB. Indicando o final da recessão. Teremos um melhor ambiente para investimentos e a maior confiança do empresariado para investir.