O presidente em exercício, Michel Temer, está sofrendo pressões de todos os lados. Até aqui, tem conseguido contornar as críticas de aliados e as demandas de determinados setores.

Por conta de sua interinidade, ainda há certo nível de tolerância por parte do mercado e do setor empresarial, com algumas concessões já feitas, em especial em matéria fiscal. Mas, depois que o impeachment for resolvido pelo Senado, possivelmente no dia 31 de agosto, o quadro vai mudar. A tolerância vai diminuir. E há, no horizonte, algumas situações desafiadoras.

Os servidores continuam pedindo reajustes salariais. Há três semanas, cerca de 80% dos servidores do Tesouro estão em greve. Na terça-feira (16), 95 gerentes do órgão entregaram seus cargos. No Senado, há projetos de lei com reajustes de servidores pendentes de votação. A pressão está grande até mesmo em favor de aumento salarial dos ministros do Supremo, que teria efeito cascata em diversas outras categorias de servidores.

Governadores do Norte, Nordeste e Centro-Oeste pedem ajuda financeira. Menos endividados do que os estados das regiões Sul e Sudeste, acham que não foram contemplados no projeto que trata da renegociação da dívida dos estados. Por isso, cobram repasse de R$ 7 bilhões.

Há também a movimentação de alguns parlamentares e de algumas entidades sindicais para que tanto a proposta que impõe um limite de gasto para o governo federal e quanto a Reforma da Previdência sejam atenuadas.

No Congresso, o maior desafio é lidar com os aliados. O PSDB, de olho em 2018, está preocupado com as ambições políticas de Michel Temer e do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. Já o Centrão (formado principalmente por PP, PR, PSD, PSC, PTB), teme perder espaço para o DEM e o PSDB.

Aparentemente, o problema com o PSDB foi superado. Restam os outros.