Em nome do respeito à lisura do processo, o julgamento final do impeachment de Dilma Rousseff poderá durar sete dias. Uma agonia desnecessária. Porém – e mais importante – o mercado deve estar preparado para momentos de grande tensão, além daquela naturalmente esperada em processos dessa natureza.

Quanto ao impeachment, tudo está decidido. Dilma foi abandonada por seu partido e sobra apenas a dupla Cardozo-Mercadante ao seu lado. O que não é uma garantia de sucesso. Já existem votos mais do que suficientes para afastá-la definitivamente. Apenas um milagre reverteria esse destino.

Além dos sobressaltos econômicos, a maioria sob controle, os focos de tensão continuarão a vir da política. Novas informações poderão vir de delatores visando fragilizar o governo e os protagonistas do processo no Senado. E, até mesmo, o Poder Judiciário. Tais movimentos, caso ocorram nos próximos dias, são sinalizações visando o pós-impeachment e os desdobramentos da Lava-Jato.

Vencido o período dos sete dias do julgamento de Dilma, o governo enfrentará uma fase importante de 90 dias para se consolidar e afastar os temores de que possa ser desestabilizado pela Lava-Jato. Michel Temer tem uma base de 400 parlamentares capaz de dar respaldo aos seus movimentos e propostas. Atingirá seu objetivo se conseguir aprovar o teto de gastos e criar as bases da retomada do crescimento.