A Rádio Gaúcha realizou ontem (16) o primeiro debate com os candidatos à prefeitura de Porto Alegre (RS). Pode-se dizer que não houve vencedores nem derrotados, já que os candidatos se preocuparam, principalmente, em apresentar suas primeiras propostas. Mesmo assim, foi possível constatar as estratégias dos principais atores da disputa na capital gaúcha.

O vice-prefeito Sebastião Melo (PMDB) procurou prestar contas da administração José Fortunati (PDT), que comanda a cidade há 12 anos. Quando atacado, reconheceu que é necessário avançar em algumas áreas como, por exemplo, na segurança pública.

Melo foi o mais atacado no debate, principalmente pela ex-deputada federal Luciana Genro (PSOL) e pelo deputado federal Nelson Marchezan Júnior (PSDB).

Marchezan tentou se postar como novidade e defendeu a necessidade de Porto Alegre inovar. Não foi por acaso que afirmou “temos que olhar para frente e não ficar parado, sem olhar para trás”. Ou seja, o candidato do PSDB procurou se diferenciar de Melo (“olhar para frente e não ficar parado) e também do PT (“sem olhar para trás”).

Também candidato da base de Fortunati, o deputado estadual Mauricio Dziedricki (PTB) priorizou a apresentação de propostas, sobretudo na segurança. Falou também que seu partido integra a base da atual administração, numa tentativa de buscar os eleitores que aprovam Fortunati, mas que possam rejeitar Melo. Porém, faltou para Mauricio uma diferenciação em relação ao candidato do PMDB.

Pelo lado da oposição, quem mais se destacou foi Luciana Genro (PSOL). Ao criticar a gestão dos serviços públicos da prefeitura, conseguiu se posicionar como a principal antagonista de Sebastião Melo no debate. Luciana também criticou o “loteamento partidário” e as “alianças de 15 partidos”, numa referência a coligação de Melo, e tentou se apropriar ainda mais da imagem de representar a “anti-política” nessa eleição.

Luciana Genro também foi bem quando o ex-prefeito Raul Pont (PT) tentou estabelecer um contraste com a candidata do PSOL. Buscando se apresentar como anti-PMDB, Pont perguntou para Luciana sobre o parcelamento dos salários do funcionalismo público estadual, prática que tem sido adotada pelo governador do Rio Grande do Sul (RS), José Ivo Sartori (PMDB), por conta da crise financeira do Estado.

Na resposta, Luciana Genro “atacou” Raul Pont afirmando que o PMDB foi “alimentado pelo PT, que ajudou os peemedebistas a se fortalecer”, numa referência a aliança que os dois partidos tiveram no plano nacional durante os governos Lula e Dilma.

Tendo como parâmetro o primeiro debate realizado pela Rádio Gaúcha, Raul Pont terá um duplo desafio na campanha. Além de conquistar o eleitorado de esquerda, Pont necessita convencer o centro, que não é ideologicamente petista nem anti-petista, a votar nele, o que explica o discurso mais moderado do ex-prefeito na comparação com o passado.